Capixabas registram em cartório desejo de doar órgãos
Um total de 493 pessoas no Espírito Santo formalizaram de forma digital o desejo de ser doador após a morte
Em dois anos, 493 capixabas procuraram os cartórios para formalizar digitalmente o desejo de doar órgãos por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo). A ferramenta, gratuita e online, permite que o cidadão registre oficialmente em vida a vontade de ser doador.
Criado pelos cartórios de notas e regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o sistema é simples, segundo a diretora de Tabelionato de Notas do Sindicato dos Notários e Registradores do Espírito Santo (Sinoreg-ES), Carolina Romano.
“A Aedo é feita pelo site aedo.org.br. A pessoa preenche o formulário padrão, disponibilizado no site, escolhe um cartório de notas, passa por videoconferência com o cartório para confirmação da identidade e manifestação de vontade, e assina eletronicamente com o certificado digital”, explicou.
Para ser doador, é preciso ter mais de 18 anos, ter CPF ou documento de identificação com foto e acesso à internet para a videoconferência e assinatura digital.
O doador também pode escolher quais órgãos deseja doar. No entanto, além do registro eletrônico, a legislação brasileira exige autorização do cônjuge ou um familiar.
Na avaliação da diretora do Sinoreg, os quase 500 registros representam avanço na conscientização. “Mais pessoas estão saindo da intenção abstrata e transformando sua vontade em declaração formal, segura e rastreável.”
A coordenadora da Central Estadual de Transplantes do Espírito Santo (CET-ES), Maria Machado, também considera o número de registros positivo. “Tem dois anos que o Aedo trouxe essa ferramenta que permite deixar o desejo de se tornar doador registrado”.
Ela alerta, porém, que o Espírito Santo ainda enfrenta um alto índice de recusa familiar. “Em 2025, nós fechamos com recusa de 50% das famílias que foram entrevistadas para doação e que disseram não. Hoje, o indicador nacional proposto é abaixo de 40%”.
Maria reforça a importância do diálogo sobre o tema. “Se não tiver o sim das famílias quando forem entrevistadas, não vamos conseguir atender a demanda. Qualquer um de nós pode estar a qualquer momento nessa fila”.
“Levo uma vida normal”
O cabeleireiro Gladston Medeiros, de 47 anos, passou mais de quatro anos em tratamento de hemodiálise até conseguir um transplante renal, em maio de 2025. O problema foi descoberto em 2021, durante exames para uma cirurgia bariátrica.
Durante o tratamento, Gladston enfrentou dificuldades com os acessos para a hemodiálise. Em abril de 2025, ele recebeu a primeira chamada para o transplante , mas não pode realizar por estar acima do peso. Um mês depois, surgiu um novo doador compatível e ele fez o transplante. Recuperado, voltou à rotina de trabalho. “Levo uma vida normal”, disse.
Saiba mais
Como se cadastrar?
O cadastro para se tornar doador de órgãos pela Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo) é gratuito e feito de forma digital pelo site aedo.org.br.
Para fazer o cadastro é necessário ser maior de 18 anos, ter CPF ou documento oficial com foto.
O interessado preenche formulário com os dados pessoais, escolhe um Cartório de Notas e solicita o Certificado Digital Notarizado.
Em seguida, é realizada videoconferência com o tabelião para confirmar identidade e vontade de ser doador e fazer a assinatura eletrônica.
Autorização da família
Além do registro oficial, a legislação ainda exige autorização da família para a doação após a morte.
Recusa familiar
O Estado fechou 2025 com índice de recusa familiar de 50% nos casos em que as famílias foram entrevistadas para autorizar a doação.
O índice considerado ideal no Brasil é abaixo de 40%. Estados como Santa Catarina e Paraná têm taxas entre 30% e 40%, enquanto o Espírito Santo mantém índice mais elevado.
Fila de transplante do Estado
Das 2.705 pessoas que aguardam por transplantes no Espírito Santo, 1.665 esperam por córnea, 988 por rim, 45 por fígado e sete por coração.
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