Produção de lúpulo pode ganhar mais espaço nas montanhas capixabas
Matéria-prima da cerveja pode abrir nova frente agrícola no Estado
O Estado pode entrar no mapa nacional da produção de lúpulo, uma das principais matérias-primas da cerveja.
Uma pesquisa inédita desenvolvida pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) está avaliando se a planta consegue se adaptar às condições da região Serrana capixaba, abrindo caminho para uma nova cadeia agrícola ligada ao mercado cervejeiro.
O experimento é realizado em Domingos Martins e analisa variedades muito utilizadas na produção de cervejas artesanais, como Cascade, Comet e Chinook.
O objetivo é identificar quais delas apresentam melhor desempenho em clima de altitude no Estado, além de estudar produtividade, manejo, resistência a doenças e qualidade química.
Hoje, praticamente todo o lúpulo utilizado pela indústria cervejeira brasileira é importado. O avanço do consumo de cervejas artesanais e o crescimento das microcervejarias no País têm estimulado pesquisas para nacionalizar parte dessa produção.
Segundo a pesquisadora do Incaper Alessandra de Lima Machado, o Espírito Santo reúne características que podem favorecer o cultivo. “O Estado tem um setor cervejeiro bastante dinâmico e isso cria uma demanda importante por matérias-primas”.
O lúpulo é responsável pelo aroma, sabor e amargor da cerveja. A planta também chama atenção pela aparência das lavouras, cultivadas em estruturas verticais que podem chegar a sete metros de altura e formam corredores verdes semelhantes a vinhedos.
Além de poder abastecer cervejarias artesanais, o cultivo é visto como alternativa para pequenos produtores rurais da região Serrana. Por ter alto valor agregado e possibilidade de mais de uma safra anual, a cultura pode ampliar a renda em propriedades menores.
Outro ponto observado pelos pesquisadores é o potencial turístico. A combinação entre produção agrícola, cervejarias artesanais e turismo de experiência já movimenta regiões de outros estados e pode abrir novas oportunidades no Espírito Santo.
As análises do projeto também envolvem estudos laboratoriais realizados em parceria com o Ifes de Venda Nova do Imigrante. A expectativa é de que os resultados ajudem a reduzir riscos para produtores interessados em investir na cultura e fortaleçam o desenvolvimento de cervejas com identidade regional capixaba.
Desafio maior é adaptar o cultivo
Produzir lúpulo fora de regiões mais frias ainda é desafio. A planta depende de condições específicas de luminosidade e manejo para se desenvolver, principalmente em relação ao chamado fotoperíodo — quantidade de horas de luz recebidas ao longo do dia.
Por isso, uma das principais etapas da pesquisa do Incaper é entender como a cultura reage às condições climáticas da região Serrana capixaba. Os estudos avaliam da poda e nutrição à incidência de doenças e produtividade.
Desenvolver informações adaptadas à realidade local é essencial para evitar prejuízos futuros. O experimento usa um sistema de condução em “V”, que melhora a circulação de ar e a entrada de luz entre as plantas, ajudando a reduzir doenças e facilitando o manejo.
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