Guilherme Arantes: "Fui muito além de um fabricador de sucessos”
Guilherme Arantes, 72, fala ao AT2 sobre sua “longa jornada”, com mais de 400 composições, e o show de 50 anos em Vitória
“Hitmaker” é uma denominação que gera orgulho a muitos artistas da atualidade que colecionam sucessos. Mas esse não é o caso de Guilherme Arantes, quando analisa seus 50 anos de carreira.
“É um título típico, qualificador, legitimador, bem dos anos 80. Mas eu fui muito além de fabricador de sucessos, hoje eu vejo mais como obras de arte mesmo. Há uma questão de refinamento na linguagem, existem muitos hits de rádio, e não só meus, que com o tempo se firmaram como obras de arte”, explica o cantor e compositor de 72 anos ao AT2.
Com mais de 400 composições no currículo, incluindo hits como “Planeta Água”, “Amanhã” e “Cheia de Charme”, um dos grandes mestres da música brasileira tem celebrado seu meio século de trajetória com a turnê “50 Anos-Luz”, que chega à capital capixaba na próxima sexta-feira, dia 22.
“Vitória reúne uma mescla de vários elementos do melhor do Brasil, uma delícia”, afirma.
Serviço
“50 Anos-Luz”
- O quê: Turnê comemorativa aos 50 anos de carreira do cantor, pianista e compositor Guilherme Arantes.
- Quando: Na próxima sexta-feira (22/05), às 21 horas. Abertura dos portões às 20 horas.
- Onde: Espaço Patrick Ribeiro, em Goiabeiras.
- Ingressos: A partir de R$ 130 (Cadeira Prata/meia).
- Venda: Site blueticket.com.br.
- Classificação: Livre. Menores de 16 anos só entram acompanhados dos pais ou responsáveis legais.
Guilherme arantes Músico
“Eu compus dirigindo de São Paulo a Santos”
AT2 — Você volta aos palcos após afirmar que se sente “um peixe fora do aquário” no show business. Por que celebrar 50 anos de carreira com shows?
Guilherme Arantes — As considerações que eu faço sobre o showbiz dizem mais sobre o quanto a atividade artística mudou nas últimas décadas do que propriamente uma crítica depreciativa. Sou um sobrevivente, remanescente de uma era muito mais fonográfica do que performática.
Mas eu adoro fazer shows e poder mostrar uma trajetória de 50 anos que continua produtiva e proponente de composições. É um grande privilégio somar as coisas e brindar o público com um show muito bem produzido e completo.
O novo show recebe o nome de “50 Anos-Luz”, uma das faixas de seu disco “Interdimensional”. Essas cinco décadas passaram na velocidade da luz?
Para falar a verdade, não. Foram cinco décadas muito trabalhosas, heterogêneas em dificuldades e diferentes desafios. Também muito diversas em aspectos pessoais de vida: o mundo, o País, as pessoas e eu mesmo. Tudo mudou de forma radical e eu guardo tudo com memória de elefante. É mesmo uma longa jornada...
Inicia o álbum “Interdimensional” com “A Vida Vale a Pena”. Para você, o que faz a vida valer a pena?
Em primeiro lugar, o aprendizado do afeto. A conciliação da bagagem com as expectativas, a pacificação da alma. A importância da amizade e da lealdade, de ser fiel a seus princípios e ter esperança sempre.
Qual de suas composições resume melhor sua própria vida?
Acho que “Planeta Água”.
É reconhecido por sua sensibilidade e pela capacidade de traduzir emoções em melodias. Nesses 50 anos, o que mudou mais em você como compositor: a técnica ou o olhar sobre a vida?
Mudou muito a experiência maior e a especialização em alguns estilos que me cabem melhor, conhecer as próprias limitações e as maiores potencialidades. Também compreender o quanto o subconsciente trabalha nas criações, isso é recente para mim!
Seu processo criativo sempre foi mais solitário?
Sou mesmo de poucos parceiros, tem que haver uma convergência subliminar. O Nelson Motta é um parceiro muito especial pra mim.
Insiste em músicas longas numa indústria que cada vez mais compacta canções. É um ato de resistência?
Não é de resistência, é um ato de satisfação pessoal. Meu processo criativo é prolixo mesmo, precisa de um tempo maior para concluir o ciclo das músicas.
Qual de suas canções ganhou um significado completamente diferente com o tempo?
“Êxtase” virou um tema recorrente em casamentos. E “Brincar de Viver” virou um tema muito presente em repertórios de samba, pagode e até em forró e piseiro.
Entre tantos hits, existe alguma canção que nasceu de maneira totalmente inesperada?
“Amanhã”. Eu compus dirigindo de São Paulo a Santos.
Nesses 50 anos, qual interpretação de um artista para uma composição sua mais te surpreendeu?
“Brincar de Viver”, porque a voz da Bethânia foi um choque para mim quando eu ouvi. Fiquei muito emocionado.
Há alguma música que você escreveu pensando em si, mas acabou ficando “com a cara” de outro artista?
“Coisas do Brasil”, com Emílio Santiago, virou uma obra-prima.
Você se arrepende de ter passado para frente alguma canção?
Não. Nunca me arrependi de ter dado uma canção para ninguém.
Da nova geração de compositores, quem você destacaria?
O Zé Ibarra e o Tim Bernardes.
Vivemos na era da Inteligência Artificial. Está imune a ela?
Eu nunca iria encontrar o mesmo prazer de fazer, se eu me valesse de IA para criar música ou letra... Isso eu tenho certeza!
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