ES investiga 10 mortes por dengue
Casos suspeitos estão em 10 cidades, entre elas Alfredo Chaves, Cachoeiro, Guarapari, Baixo Guandu, Serra, Vila Velha e Vitória
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Com mais de 23 mil casos notificados de dengue neste ano, o Espírito Santo investiga 10 mortes suspeitas relacionadas à forma grave da doença.
Os casos em investigação estão nos municípios de Alfredo Chaves, Baixo Guandu, Cachoeiro de Itapemirim, Ecoporanga, Guarapari, Jerônimo Monteiro, Nova Venécia, Serra, Vila Velha e Vitória.
Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), nenhuma morte foi confirmada até o momento no Estado em 2026. Em todo o ano passado, foram duas mortes confirmadas.
O enfermeiro epidemiologista e referência técnica das Arboviroses do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica da Sesa, João Paulo Cola, afirma que apesar das mortes em investigação, o Estado tem registrado uma redução do número de casos este ano, em relação a anos anteriores.
“Alguns municípios apresentam aumento da incidência neste momento, mas, no cenário estadual, ainda estamos abaixo dos últimos anos”, explicou.
Sobre as mortes em investigação, Cola explicou que os casos ainda passam por análise para confirmação da causa do óbito.
“Como os sintomas da dengue podem ser parecidos com os de outras doenças, é necessário investigar para confirmar se realmente foi dengue e entender também o que levou esse paciente ao óbito. Isso permite identificar possíveis falhas na assistência e evitar novas mortes”, destacou.
De acordo com o especialista, apesar das investigações em andamento, a expectativa é de que o Estado não registre um número elevado de mortes neste ano. “A gente já investigou mais de 20 óbitos suspeitos em 2026 e todos foram descartados para dengue. Como estamos em um cenário de menos casos, a perspectiva é que não tenhamos muitos óbitos”, disse.
A infectologista Rubia Miossi explicou que a redução dos casos de dengue após períodos de grande circulação do vírus é um comportamento esperado na epidemiologia da doença.
“Existe um fenômeno chamado esgotamento de suscetíveis. Muitas pessoas que nunca tinham tido dengue foram infectadas nos últimos três anos e desenvolveram imunidade para os sorotipos que circularam nesse período.”
Segundo ela, fatores climáticos também influenciaram diretamente o cenário deste ano. “Tivemos um verão diferente em relação às chuvas e um outono mais quente. Essas mudanças ambientais impactam diretamente na circulação da dengue”.
SAIBA MAIS
Dengue no Estado
> Números de 2026
> 23.383 casos suspeitos de dengue foram notificados este ano no Estado.
> 7.784 casos foram confirmados.
> 12.002 casos são classificados como “prováveis”.
> 10 casos de mortes estão em investigação.
Municípios com incidência alta
> O indicador é calculado pelo número de casos por 100 mil habitantes.
> Cidades: Pancas, Jerônimo Monteiro, Muniz Freire, Alfredo Chaves, Laranja da Terra, Baixo Guandu, Boa Esperança, Marataízes, Itaguaçu. Irupi, Nova Venécia e Alegre.
*OBS: Os dados se referem ao acumulado da 1ª até a 19ª semana epidemiológica de cada ano.
A doença
> A dengue é uma doença infecciosa febril aguda, que pode se apresentar de forma benigna ou grave, dependendo de alguns fatores.
> Tosdos os quatro sorotipos de dengue podem produzir formas assintomáticas, brandas e graves. No entanto, os tipos 1 e 2 são os que têm circulado de forma predominante ainda no Estado nos últimos anos.
> Sintomas como febre, dor de cabeça, dores pelo corpo e náuseas são os mais comuns.
> Sangramentos (nariz, gengivas), dor abdominal intensa e contínua e vômitos persistentes podem indicar um sinal de alarme para dengue grave.
Complicações
> Todas as faixas etárias são suscetíveis à doença, porém as pessoas mais velhas e aquelas que possuem doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, têm maior risco de evoluir para casos graves e outras complicações que podem levar à morte.
Fonte: Sesa, Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e especialistas.
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