Executiva da Microsoft: “Não existe emprego à prova de futuro”
Executiva da Microsoft diz que profissões vão mudar com a IA e defende preparação de profissionais para novas funções
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O avanço da Inteligência Artificial deve continuar transformando profissões e alterando a forma como empresas organizam suas equipes, segundo a vice-presidente corporativa de transformação da força de trabalho da Microsoft, Katy George.
A executiva afirmou que “não existe emprego à prova de futuro”, mas defendeu que trabalhadores e empresas podem preparar carreiras para as mudanças provocadas pela tecnologia. As falas foram em entrevista ao jornal O Globo.
A declaração ocorreu em meio a uma nova onda de demissões no setor de tecnologia. A Amazon anunciou 16 mil cortes em janeiro. A Oracle deve eliminar entre 20 mil e 30 mil postos de trabalho, enquanto a Meta prevê a dispensa de outros 8 mil funcionários.
Para Katy, porém, a relação direta entre Inteligência Artificial e perda de empregos ainda não está comprovada. Segundo ela, há outros fatores econômicos e de mercado envolvidos nos cortes promovidos pelas empresas.
A executiva citou inclusive o termo “AI washing”, usado para descrever situações em que companhias atribuem demissões à inteligência artificial sem que essa seja necessariamente a principal causa.
A executiva afirmou ainda que lideranças empresariais precisam assumir papel mais ativo na transformação tecnológica, inclusive aprendendo novas formas de trabalhar. E diz que gestores que usam IA de forma avançada estão formando equipes que conseguem extrair mais valor das ferramentas.
Katy George também defendeu mudanças na formação de profissionais em início de carreira. Segundo ela, empresas vêm repensando programas de integração e desenvolvimento para aproximar jovens trabalhadores das atividades consideradas estratégicas.
Valor
A executiva afirmou que a inteligência artificial pode permitir que profissionais iniciem a carreira atuando em tarefas de maior valor agregado e com desenvolvimento mais acelerado de habilidades ligadas a julgamento crítico e tomada de decisão:
“A mensagem principal é que não existe emprego à prova de futuro. Todos os nossos empregos estão mudando e podemos ajudar a preparar as carreiras para o futuro”, enfatizou a Katy.
Brasileiros lideram preocupação
O Brasil aparece acima da média global quando o assunto é preocupação com Inteligência Artificial no mercado de trabalho. Segundo a nova edição do Índice de Tendências no Trabalho (WTI), da Microsoft, 79% dos trabalhadores brasileiros afirmam temer “ficar para trás” caso não adotem ferramentas de IA rapidamente.
No cenário global, o índice é de 65%. O levantamento também aponta que profissionais brasileiros vêm incorporando inteligência artificial ao trabalho em ritmo superior ao de outros países.
Segundo a pesquisa, 72% afirmam executar tarefas que não conseguiriam realizar há um ano sem auxílio da tecnologia. A média global é de 58%. Na França, o percentual é de 49%, enquanto na Alemanha chega a 54%.
Outro dado do estudo mostra que brasileiros demonstram menor tendência a ficar apenas nos modelos tradicionais de atuação. Segundo a Microsoft, 40% afirmam priorizar os projetos atuais em vez de redesenhar a forma de trabalhar com inteligência artificial. A média global é de 45%.
Para a companhia, os números refletem um ambiente de maior inquietação dos profissionais brasileiros diante da velocidade de adoção da tecnologia e das mudanças provocadas pela IA nas empresas.
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