Engenharia de vida: professora e aluna de PE unem trajetórias pela maternidade
Em meio aos cálculos e canteiros de obras, histórias de uma mãe atípica e uma mãe solo se cruzam na graduação de Engenharia Civil em Pernambuco
Na sala de aula da graduação em Engenharia Civil da UniFG Pernambuco, as equações estruturais dividem espaço com uma realidade comum a muitas brasileiras: a jornada múltipla. De um lado da bancada, uma professora doutora e mãe atípica. Do outro, uma estudante negra, bolsista e mãe solo. Entre livros e plantas baixas, a maternidade tornou-se o elo que humaniza a exatidão dos números e aproxima docente e discente em uma rede de sororidade.
A instituição, que integra o Ecossistema Ânima, serve de cenário para o encontro de Luciana Maria dos Santos e Thamires Moura. Elas representam a resistência feminina em uma área historicamente ocupada por homens, provando que o diploma é, antes de tudo, uma ferramenta de transformação familiar.
Do canteiro de obras à universidade
Luciana Maria já conhece o chão de fábrica. Técnica em edificações com atuação na área, ela entendeu que para garantir a estabilidade dos dois filhos, precisava subir mais um degrau. "Eu vim da comunidade. Morava em um lugar simples na Imbiribeira. Mas sabia desde cedo que cabia a mim ir em busca de algo melhor para mim e para meus filhos. E vi essa oportunidade através dos estudos e quero ir além", revela a estudante.
Para ela, a graduação não é apenas um título, mas a construção de um novo alicerce. A rotina é pesada, mas o foco é nítido: a formatura em 2027 é o projeto principal de sua vida atual.
O espelho na docência
A motivação para não desistir vem do exemplo que Luciana encontra à frente da turma. A professora Thamires Moura viveu na pele o desafio acadêmico com um recém-nascido nos braços. Ela engravidou no penúltimo ano da faculdade e não interrompeu o fluxo. Hoje, além da carreira acadêmica consolidada, ela gerencia os cuidados de Davi, seu filho de 5 anos diagnosticado com autismo (nível de suporte 2).
A rotina de terapias diárias e o rigor da docência não a afastaram do sonho; pelo contrário, deram-lhe um novo propósito. “Eu queria, por meio da minha carreira, poder cuidar dele da melhor maneira possível”, afirma Thamires. Hoje, ela não apenas ensina as leis da física e da construção, mas compartilha a logística emocional de ser uma profissional de alto nível e uma mãe dedicada.
Referência e futuro
A Paixão pela docência transformou Thamires em um espelho para alunas como Luciana. A professora destaca que o ambiente universitário permite uma troca constante: ‘Estou exatamente onde deveria estar. Eu ensino ao mesmo tempo que aprendo”, pontua.
Para Luciana, ver uma mulher jovem, doutora e mãe enfrentando batalhas semelhantes às suas valida sua própria jornada. Ela já planeja a especialização após o término do curso, carregando a certeza de que a persistência é, também, um ato de cuidado. Na UniFG, a relação entre professora e aluna transcende o currículo acadêmico e se consolida como uma rede de força feminina que rompe as barreiras do canteiro de obras e da vida.
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