Terapias e dispositivos: as novidades da ciência para melhorar o sexo
Novas terapias como dispositivos e estimuladores elétricos buscam tratar a origem da disfunção erétil
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De dispositivos que monitoram a ereção em tempo real a terapias que buscam regenerar vasos sanguíneos e nervos, a ciência tem avançado nas pesquisas para o tratamento da disfunção erétil. As novas abordagens podem ampliar as possibilidades para pacientes e buscam tratar a origem do problema.
Um exemplo de novidade em fase de testes é um estimulador elétrico implantado no pênis, desenvolvido em estudo na Faculdade de Medicina do ABC, que funciona de forma semelhante a um marca-passo.
O supervisor da Disciplina de Medicina Sexual da Sociedade Brasileira de Urologia, Leonardo Seligra, explica que o dispositivo estimula eletricamente o nervo do órgão. A proposta é regenerar o nervo em pacientes que sofreram algum tipo de lesão.
“No nosso estudo, avaliamos seis pacientes que sofreram lesão medular. Após um ano, eles apresentaram melhora nos índices de ereção e na satisfação sexual”, afirma.
O médico diz que os dados internacionais são promissores, como os da Austrália, com pacientes que passaram por cirurgia de retirada da próstata.
Outra tecnologia, já utilizada em alguns países, é a radiofrequência, que busca regenerar os tecidos da região.
“Essas novas descobertas vêm justamente para que a gente possa tratar as causas do problema e não apenas ter ação paliativa, ou seja, ajudando a resolver a ereção”.
Apesar dos avanços, as tecnologias ainda não estão amplamente disponíveis. De acordo com o urologista Henrique Menezes, do Hospital Evangélico de Vila Velha, o tratamento mais comum ainda segue abordagens tradicionais.
“O tratamento segue três principais linhas: o uso de medicações orais, como o Viagra e a tadalafila; as injeções intracavernosas, aplicadas diretamente no pênis; e o implante de prótese peniana, indicado para casos mais avançados”, diz.
O mais importante na avaliação do médico é identificar a causa da disfunção erétil.
“Em alguns casos, é possível resolver o problema sem necessidade de medicamentos, dependendo da origem”.
Para o urologista Felipe Merlo Magioni, do Hospital Vitória Apart, os avanços devem ser usados de forma complementar.
“Eles podem melhorar os resultados e reduzir a dependência de medicamentos, mas ainda não substituem completamente os tratamentos tradicionais”.
Além disso, mudanças no estilo de vida são essenciais.
“O controle de doenças como diabetes, hipertensão e colesterol é importante”, conclui o urologista.
Fique por dentro
Disfunção erétil
É a dificuldade persistente de alcançar ou manter uma ereção suficiente para uma atividade sexual satisfatória.
A condição também pode impactar a confiança sexual, a autoestima, a satisfação nos relacionamentos e a qualidade de vida.
Causas
Especialistas explicam que a disfunção erétil pode ter uma série de causas e, a partir do diagnóstico, é que passa a ser norteado o melhor tipo de tratamento.
As mais comuns são:
- Doenças cardiovasculares
- Diabetes
- Distúrbios hormonais
- Condições neurológicas
Cirurgias
- Ansiedade, estresse ou depressão
- Problemas de relacionamento
- Tabagismo e álcool
- Uso de medicamentos
- Uso de drogas ilícitas
Tratamentos
O tratamento indicado pelo médico depende do fator que tenha causado a disfunção erétil.
No Brasil, o uso de medicamentos, como o Viagra, ainda é a primeira linha de tratamento.
Porém, nos últimos anos, tem se buscado uma nova abordagem, com foco em tratar também a causa da disfunção, combinando outros tipos de terapias.
Novidades
Anéis penianos inteligentes
São anéis colocados ao redor do pênis durante o sono ou a relação sexual e coletam dados sobre a força e o tempo de ereção.
As informações são armazenadas em um aplicativo acessado por um especialista que, a partir dos dados coletados, pode selecionar as melhores formas de tratamento.
Essa tecnologia, porém, ainda não faz parte da rotina clínica no Brasil.
Os anéis tradicionais são utilizados para manter a ereção, enquanto os modelos inteligentes ainda estão em fase de introdução e validação científica.
Terapia regenerativa
Opções como plasma rico em plaquetas, terapias com células-tronco e com ondas de choque em baixa intensidade têm sido testadas de forma experimental.
O objetivo é estimular o crescimento e a reparação de tecidos e vasos sanguíneos.
Estimulação nervosa
Uma outra opção sendo estudada é de dispositivos implantáveis que estimulam eletricamente os nervos da região peniana.
Um dos estudos, conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina do ABC, tem testado um dispositivo que funciona como um marca-passo, emitindo estímulos elétricos diretamente no nervo.
Resultados iniciais, em pacientes com lesão medular e também em homens submetidos à cirurgia de próstata, apontam melhora nos índices de ereção e na satisfação sexual após cerca de um ano de acompanhamento.
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