Estado se compromete a desobstruir rios para reduzir cheias no Recife e na Mata
Em meio à disputa eleitoral e ao drama das chuvas, vistorias buscam soluções de curto prazo em áreas críticas como os rios Beberibe e Tejipió
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As fortes chuvas que atingiram Pernambuco nos últimos dias voltaram a expor uma ferida aberta: a vulnerabilidade de comunidades ribeirinhas e a reatividade do poder público diante de tragédias anunciadas. Em um movimento que carrega tanto um caráter técnico quanto uma leitura política estratégica, o Governo de Pernambuco iniciou uma série de vistorias para identificar obstruções em rios na Região Metropolitana do Recife (RMR) e nas Zonas da Mata Norte e Sul.
A atuação estadual em áreas urbanas do Recife — reduto onde a gestão municipal costuma centralizar o protagonismo — ocorre em um momento de transição política, com o ex-prefeito João Campos fora do cargo e posicionado como pré-candidato ao governo. A presença das equipes estaduais em bacias como a do Beberibe e do Tejipió sugere uma tentativa de ocupação de espaços, enquanto a população, mais uma vez, contabiliza prejuízos com a água atingindo 1,5 metro dentro das residências.
O gargalo do Rio Tejipió e a drenagem na RMR
Na capital e arredores, técnicos da Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento (SRHS) percorreram bairros como Santo Amaro, Arruda, Cajueiro, Coqueiral e Ipsep. O diagnóstico aponta o que o morador já conhece: "pontos de estrangulamento" onde o acúmulo de sedimentos e a redução da calha dos rios impedem o escoamento. No bairro de Coqueiral, por exemplo, várias famílias perderam tudo. A Prefeitura do Recife informou, inclusive, que está assistindo às famílias e já anunciou investimentos de R$ 500 milhões para os impactos ambientais nesta área em obra para beneficiar gerações.
Não é a primeira vez que o Governo de Pernambuco e Prefeitura do Recife travam jogos de narrativas. A governadora Raquel Lyra já se encontrou com os ministros da Integração Nacional e dos Transportes, enquanto João Campos (PSB) e o senador Humberto Costa (PT) conversam com Lula sobre os mesmos problemas: o drama das chuvas no estado.
Situações de emergência
Historicamente, as soluções para essas áreas costumam ganhar celeridade apenas sob estados de emergência, com fiscalizações menos rígidas e em meio a perdas para os mais vulneráveis. Segundo o secretário Almir Cirilo, a intenção agora é reverter o impacto imediato.
“O Governo do Estado já está elaborando os projetos e buscando recursos para viabilizar as intervenções. A expectativa é implementar ações que reduzam os danos à população no curto e médio prazo. Ou seja, nos próximos dias, já daremos início a algumas destas intervenções”, afirmou.
Entre elas, está a retirada de sedimentos e pequenos alargamentos para melhorar a drenagem. O secretário diz que medidas deverão ser aplicadas a partir desta identificação de pontos de estrangulamento. São trechos, segundo ele, onde há obstruções ou redução da calha dos rios —.
Interior: diagnósticos em Vicência e Vitória de Santo Antão
Na Mata Norte, o foco recaiu sobre o Rio Sirigi, em Vicência. Em meio às chuvas e rios com cotas de inundação, o secretário executivo Felipe Alves destacou que a pasta avalia obras estruturantes:
“Estamos dando continuidade ao trabalho de identificação dos danos causados pelas últimas chuvas, apoiando o município e contribuindo também na definição das ações de restauração e reconstrução. A Secretaria traz em seu portfólio obras como barragens de controle de cheias e, aqui em Vicência, estamos avaliando a calha do Sirigi, além de propor soluções de drenagem urbana para a cidade”, destacou.
O apoio foi chancelado pelo prefeito de Vicência, Éder Waltter: “O município não dispõe dessa capacidade e essa atuação chega em um momento muito oportuno para orientar soluções eficazes e definitivas para a comunidade”, afirmou.
Já em Vitória de Santo Antão, na Mata Sul, a APAC identificou que, embora o leito do Rio Tapacurá esteja limpo, estruturas antigas de pontes e ocupações irregulares represam a água. A solução sugerida passa por caminhos complexos e caros: a realocação de famílias e a ampliação de infraestruturas na BR-232.
Medidas paliativas e a busca por recursos federais
Enquanto as intervenções de curto prazo — como a retirada de sedimentos — prometem alívio, a solução definitiva depende de obras de macrodrenagem e barragens de contenção que aguardam recursos federais. O cenário de "mundo desabado", no entanto, força o Estado a um corpo a corpo técnico para evitar que o drama se converta em desgaste político irreversível. O mesmo vale para o sucessor de João Campos, Victor Marques (PCdoB).
“A agenda de vistorias segue em andamento, com equipes mobilizadas para novas inspeções em áreas ribeirinhas e pontos críticos em todo o estado. Além disso, a governadora Raquel Lyra (PSDB) vem empenhando todos os esforços para a liberação de recursos junto ao Governo Federal para obras de barragens de contenção de enchentes, liberação do saque do FGTS para moradores dos municípios atingidos pelas chuvas, recuperação de rodovias, além de obras de contenção e estabilização de encostas em áreas de alto risco, além de obras de macrodrenagem e habitação de interesse social”, finalizou Almir Cirilo.
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