Emergência em Pombos questionada: quem foram os 2,5 mil desalojados?
Enquanto decreto oficial aponta que 10% da população ficou sem teto após chuvas de 1º de maio, vereadora protocola ofício sobre as famílias
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O município de Pombos, no Agreste de Pernambuco, vive uma aritmética que não fecha entre o papel e as ruas, segundo a oposição. A cidade, conhecida como a "Terra do Abacaxi" e cortada pela BR-232, foi incluída no Decreto Estadual nº 60.542 como uma das 27 localidades em estado de emergência. O documento oficial registra um contingente de 2.500 desalojados e 45 desabrigados. Na prática, o número representa quase 10% dos cerca de 29 mil habitantes da cidade.
Nesta terça-feira (06), a vereadora Lucinha da Maternidade (União Brasil) protocolou um ofício na Prefeitura e na Defesa Civil. Ela é presidente da Comissão de Educação, Saúde e Assistência Social da Câmara. E questiona a veracidade das estatísticas enviadas ao Governo do Estado e à União. Segundo a parlamentar, o cenário descrito para a captação de recursos não é visível no cotidiano do município.
A cena após a água baixar
A passagem do temporal em 1º de maio deixou cicatrizes físicas na zona rural e urbana. Uma ponte de ferro na Usina Nossa Senhora do Carmo foi arrancada pela força do rio, mas já estava muito velha. No Bairro Novo, no Centro, a água cobriu a cabeça da ponte baixa, deixando moradores momentaneamente ilhados. Estradas foram escavadas e passagens molhadas danificadas.
Entretanto, o cenário de catástrofe humanitária com milhares de pessoas fora de casa é contestado. "Pombos é uma cidade pequena, todo mundo se conhece. Se tivéssemos 2,5 mil pessoas desalojadas, a cidade estaria em colapso visível. Onde estão essas pessoas? Em quais abrigos? Quais donativos receberam?", questiona a vereadora Lucinha.
Repasse pequeno
Na segunda-feira (05), o Governo de Pernambuco creditou R$ 1,2 milhão para os 27 municípios em emergência. Pombos, classificada como município de pequeno porte, recebeu R$ 24.000,00 (vinte e quatro mil reais). O valor levanta dúvidas sobre a finalidade do decreto de emergência quando o município tem condições de se reerguer com recursos próprios. No entanto, o pequeno valor é um dos critérios do governo do estado para cidades de pequeno porte.
A diferença técnica entre os termos amplia o debate. Desalojados são aqueles que buscam abrigo em casas de parentes; desabrigados dependem de abrigos públicos por terem perdido tudo. Em Pombos, o número de desabrigados oficiais caiu de 45 para 11 em apenas dois dias, sem que se saiba o destino das outras 2.5 pessoas listadas inicialmente como desalojadas.
Pressão política na Câmara
A movimentação de Lucinha da Maternidade teve o apoio da Comissão de Saúde, Educação e Assistência Social. Contudo, a base do prefeito Elias meu fii (PSB) demonstrou fissuras: dos três membros da comissão, um vereador governista se recusou a assinar o protocolo que exige a lista nominal dos cadastrados na Defesa Civil.
A oposição sustenta que, embora as estradas precisem de reparos, não houve queda de residências que justificasse o volume de desalojados e desabrigados reportado. “Nenhuma casa caiu”. O objetivo do ofício é garantir que o cadastro social não tenha sido inflado para justificar a entrada no decreto de emergência.
O Tribuna Online PE tentou contato com o prefeito Elias meu fii e com a Secretaria de Assistência Social de Pombos para esclarecer os critérios do cadastramento das 2,5 mil pessoas, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
Tabela: Repasses de Cofinanciamento Emergencial (Exemplos)
Município Porte Valor Recebido (R$)
Pombos Pequeno R$ 24.000,00
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