Falha de terceiros no cruzamento de dados pode levar à malha fina
Especialista alerta que divergências em informes de rendimentos e falhas na integração de sistemas geram retenções mesmo em declarações corretas
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O avanço da digitalização e a maior integração de dados promovidos pela Receita Federal acenderam um alerta para os contribuintes em 2026: cair na malha fina do Imposto de Renda nem sempre é reflexo de um erro de quem declara. Especialistas apontam que inconsistências no cruzamento automatizado de informações podem reter declarações perfeitamente preenchidas, devido a divergências nos dados enviados por empresas, instituições financeiras e até por sistemas do próprio governo.
Segundo o contador Paulo de Tarso, da CSMalta Contabilidade, o risco está diretamente associado ao imenso volume e à origem das informações utilizadas pelo Fisco, que hoje cruza, de forma automática, dados de bancos, empregadores, planos de saúde e corretoras. Se qualquer uma dessas entidades cometer um equívoco no envio, o cidadão acaba penalizado pelo sistema.
Os informes de rendimentos, que servem de base para a declaração, figuram como os principais vilões dessas inconsistências. Caso um empregador registre valores incorretos de salário, de retenção de imposto na fonte ou de contribuição previdenciária, o sistema da Receita Federal identificará o conflito de informações no momento do cruzamento de dados.
INTEGRAÇÃO DE PLATAFORMAS
De acordo com Tarso, o contribuinte costuma replicar exatamente o documento que recebeu, mas, se o informe original contiver erros, o problema inevitavelmente aparecerá na declaração. Outro complicador recente é a integração de plataformas como o eSocial, que consolida dados trabalhistas e previdenciários. Falhas operacionais ou atrasos no envio dessas obrigações por parte das empresas impactam diretamente a base de dados do Fisco, gerando descompassos técnicos que refletem na malha fina.
Além das questões trabalhistas, as despesas médicas e os rendimentos financeiros permanecem no topo dos gargalos de divergência. As informações prestadas por clínicas, hospitais e bancos precisam estar milimetricamente alinhadas com o que o cidadão declara, pois qualquer diferença centesimal provoca a retenção automática da declaração.
Para mitigar esses riscos, a recomendação do especialista é adotar uma postura proativa, realizando uma conferência minuciosa que vá além do simples preenchimento. O ideal é comparar os informes de rendimentos com contracheques mensais, extratos bancários e recibos físicos, procurando a fonte pagadora para correção antes mesmo do envio caso alguma discrepância seja detectada. Se o documento já tiver sido transmitido e o erro for identificado posteriormente, o contribuinte deve providenciar uma declaração retificadora o quanto antes, evitando notificações formais e maiores dores de cabeça com o Fisco.
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