Da carteira ao celular: a transformação do crime nas ruas
Sequestro rápido força acesso a apps bancários e Pix; veja como reduzir prejuízos com limites, bloqueios e atenção ao entorno
Eduardo Pinheiro
Com formação em Direito e TI e Mestre em Políticas Públicas, Eduardo é pioneiro em segurança digital no Brasil. Fundou a Delegacia de Crimes Cibernéticos (2000) e o Programa de Proteção de Dados do Espírito Santo (2021). Especialista em LGPD e IA, é professor, palestrante e comentarista de tecnologia da TV Tribuna/BAND.
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A tecnologia mudou a forma como vivemos — e, infelizmente, também transformou a forma como os criminosos agem. Se antes o risco era sair na rua e ter a carteira furtada, hoje o golpe evoluiu: o alvo não é mais o seu bolso, é você.
O crime de “batida de carteira” ganhou uma versão muito mais cruel e perigosa. Agora, criminosos sequestram a vítima por um curto período, cerceiam sua liberdade e, sob ameaça, obrigam o acesso ao aplicativo bancário para esvaziar contas em poucos minutos.
A dinâmica é tão rápida quanto assustadora. A abordagem acontece geralmente em vias públicas — na rua, na saída de estabelecimentos ou até dentro do carro. Armados e agressivos, os criminosos dominam a vítima e passam a exigir acesso imediato ao celular.
Sob forte coação, a pessoa é obrigada a desbloquear o aparelho, abrir aplicativos bancários, contratar empréstimos pré-aprovados e realizar transferências via Pix para contas de “laranjas”. Em questão de minutos, todo o dinheiro desaparece. Ao final, a vítima é liberada, mas carrega um prejuízo financeiro significativo, dívidas inesperadas e um impacto emocional profundo.
Diante desse cenário, a prevenção se torna essencial. Algumas medidas simples podem reduzir significativamente os danos.
A primeira delas é definir limites baixos para transferências via aplicativo bancário. Essa barreira pode impedir que valores elevados sejam enviados de forma imediata.
Outra recomendação importante é desativar ou reduzir limites de crédito e empréstimos pré-aprovados, evitando que criminosos utilizem dinheiro que nem sequer estava disponível na conta. E talvez a mais importante de todas: redobrar a atenção com o ambiente ao redor, evitando locais ermos, ruas desertas e horários de maior risco. A segurança digital começa, muitas vezes, pela segurança física.
Do lado das instituições financeiras, a tecnologia também precisa atuar como aliada do cidadão. Hoje, sistemas baseados em inteligência artificial são capazes — ou pelo menos deveriam ser — de identificar padrões suspeitos de comportamento.
Transações realizadas em locais diferentes do habitual, em horários incomuns, com valores acima do padrão do cliente ou em sequência rápida para contas desconhecidas são fortes indícios de fraude. Além disso, transferências para contas recém-criadas ou com histórico de irregularidades devem acender um alerta imediato.
Mas, no fim das contas, a principal linha de defesa ainda é você. Todo cuidado é pouco com o seu aplicativo bancário — e, principalmente, com o ambiente ao seu redor.
A tecnologia pode facilitar a vida, mas também amplia riscos quando usada sob pressão e violência. A prevenção, mais uma vez, é a melhor arma. Porque, no mundo digital de hoje, proteger o seu dinheiro começa muito antes de tocar na tela do celular.
EDUARDO PINHEIRO é consultor de tecnologia da informação
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A coluna Mundo Digital é uma coluna que informa e orienta sobre segurança, golpes, dados, IA e Direito Digital, conectando tecnologia aos impactos reais na vida das pessoas. Com foco educativo e preventivo, transforma temas complexos em orientações práticas e incentiva o uso ético, seguro e responsável do ambiente digital.