ES registra 94 mortes nas estradas e tem abril mais violento da década
Levantamento aponta que a maioria dos acidentes fatais ocorre aos domingos à noite, sendo os motociclistas as principais vítimas
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Abril terminou com um retrato alarmante nas estradas do Espírito Santo: o mês registrou 94 mortes no trânsito. O número é o maior da última década considerando os meses de abril.
Os dados do Painel de Mortes no Trânsito, do Observatório da Segurança Pública, apontam uma escalada da violência viária que se repete ao longo de 2026 – foram 319 vidas perdidas até essa segunda-feira (4), sendo 314 só de janeiro a abril, o maior acumulado desde 2017. No ano passado, nos quatro primeiros meses, foram 294 mortes no trânsito.
O raio x da violência viária este ano aponta, ainda, que os municípios com mais mortes são Linhares e Colatina. Além disso, a maior parte dos acidentes com vítimas fatais ocorre aos domingos, no período da noite e com motociclistas (46,36% das vítimas).
Um dos acidentes graves aconteceu no dia 17 de abril. Duas pessoas morreram e três ficaram feridas na colisão, que envolveu dois carros e uma carreta, no km 181 da BR-101, em Aracruz.
Um dos motoristas envolvidos na batida relatou que foi ultrapassado por outro caminhão e que um automóvel tentou fazer a ultrapassagem logo atrás. O veículo de carga conseguiu concluir a manobra, mas o carro prata não retornou a tempo, batendo contra outro veículo.
Para o consultor de Segurança Viária, capitão Anthony Moraes Costa, apesar de o mês de abril ter tido alguns feriados prolongados, é preciso separar o fator de exposição ao risco da causa determinante.
“Não entendo que sejam culpa do calendário os números recordes. O ‘feriadão’ é apenas o cenário; mas a conduta é o roteiro. O combate a essa mortalidade passa menos pela gestão do tráfego em datas específicas e muito mais pela educação contínua e fiscalização, focadas em mudar a percepção de risco do condutor e na adoção de comportamentos que promovam segurança viária”.
O advogado criminalista e especialista em Segurança Pública Fábio Marçal ressalta que os acidentes acontecem diariamente e estão ligados a uma combinação de fatores, como falta de habilidade dos condutores, direção sem habilitação, consumo de álcool e falhas na fiscalização.
Ele também destaca o peso dos acidentes com motocicletas, que já representam a maioria dos casos nas estradas.
“O veículo precisa ser encarado como uma arma letal. Hoje, dirigir sem habilitação só é crime se houver acidente, e isso não está certo. A legislação precisa mudar”, explicou Fábio Marçal.
Outros casos
Duas mortes
Duas pessoas, de 36 e 28 anos, morreram vítimas de um acidente envolvendo duas motocicletas no dia 28 de abril, na avenida José Gomes de Assis Baeta, no bairro Vila Nova, em Ecoporanga, no Noroeste do Estado. Um jovem de 18 anos ficou ferido e foi socorrido.
Segundo a Polícia Militar, as motos colidiram frontalmente. A vítima de 36 anos morreu ainda no local e era a condutora de uma das motos. Ela não tinha habilitação.
Bicicleta
A universitária Gabriela Sartório, de 45 anos, morreu no dia 24 de abril após sofrer um acidente enquanto andava de bicicleta em Vitória.
Gabriela foi atingida por um carro, por volta das 6h do dia 21 de abril, enquanto pedalava pela avenida Norte-Sul, em Jardim Camburi, na capital.
O motorista do veículo, de 26 anos, admitiu ter ingerido bebida alcoólica e foi preso após realizar o teste do bafômetro. Ele também estava com a carteira de habilitação vencida há mais de 30 dias.
Gabriela chegou a ser socorrida e ficou três dias internada, mas não resistiu aos ferimentos. Ela deixou quatro filhos.
Suspeita de racha
A universitária Sara Gimenes, 22, morreu em um grave acidente na rodovia Leste-Oeste, em Cariacica, no dia 22 de abril.
O namorado da vítima, de 24 anos, estava na direção do veículo e teve a prisão decretada.
Além de ele ter fugido sem prestar socorro, imagens de câmeras de videomonitoramento mostram que o carro estaria envolvido em uma disputa de velocidade – prática conhecida como racha – com outros dois automóveis.
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