“Efeito Mounjaro”: corrida por tratamentos de beleza após perda de peso
Pacientes buscam tecnologias para combater a flacidez severa e a perda de volume facial após o uso de medicações
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Desde que chegaram ao Brasil, as canetas para diabetes e perda de peso conquistam a cada dia novos usuários. Mas, além do emagrecimento com impacto direto no corpo, a rotina dos consultórios dermatológicos tem sido afetada pelas medicações.
Isso porque, segundo especialistas, cada vez mais pessoas que utilizam as canetas têm procurado soluções para lidar com flacidez, perda de volume facial e alterações na qualidade da pele, reflexo direto do emagrecimento acelerado.
Um levantamento realizado pela McKinsey & Company, empresa de consultoria dos Estados Unidos, identificou que 63% dos que buscaram por estética após o uso de análogos de GLP-1 (como Ozempic, Wegovy e Mounjaro) não eram usuários desse serviço.
Tecnologias como radiofrequências monopolares, ultrassons microfocados, lasers e bioestimuladores injetáveis são alguns dos tratamentos indicados pelas médicas entrevistadas para tratar a flacidez.
“A queixa maior de quem chega até mim é o ‘derretimento’ da face. Minha orientação para os pacientes que vão iniciar o processo com o remédio, além de estarem bem acompanhados por um endocrinologista ou nutrólogo, é começar um protocolo dermatológico”, orienta a dermatologista Karina Mazzini.
Mas a dermatologista Oliete Guerra faz um alerta: no ultrassom, por exemplo, é preciso saber usar a ponteira para não emagrecer mais o rosto. “Normalmente, aplicamos a tecnologia para fortalecer, e em seguida tratamos com bioestimulador e preenchimento.”
Quando a perda de peso é rápida e não programada, a dermatologista Priscila Passamani explica que o organismo sofre um estresse maior, muitas vezes associado a um processo inflamatório, o que impacta diretamente a pele e também o cabelo. “Por outro lado, quando o emagrecimento é gradual, a tendência é que a pele responda muito melhor.”
A médica Renata Melo ressalta que “mais do que um procedimento isolado, o mais importante é estruturar um plano de tratamento personalizado, capaz de devolver sustentação, qualidade de pele e harmonia facial de forma gradual e equilibrada.”
Fique por dentro
Efeitos na face
A flacidez facial é a principal queixa após o emagrecimento acelerado, frequentemente descrita pelos pacientes como um “derretimento” da face.
As áreas mais afetadas são os terços médio e inferior e a papada, com perda de contorno e aspecto mais cansado. Esse impacto ocorre pela redução do tecido adiposo, que funciona como sustentação, associada à perda de colágeno, o que compromete a firmeza e a elasticidade da pele.
Tratamento
envolve uma abordagem combinada: tecnologias como ultrassom microfocado e radiofrequência (monopolar e bipolar) para estimular estruturas profundas, seguidas por lasers, bioestimuladores de colágeno e, em alguns casos, preenchimentos para sustentação e reposição de volume.
A técnica é determinante para o resultado, especialmente no uso de ultrassom, que precisa ser ajustado para não acentuar o aspecto de emagrecimento facial.
Essas tecnologias atuam em diferentes camadas da pele, promovendo retração, estímulo de colágeno e melhora da qualidade global do tecido.
Os protocolos variam conforme o paciente, podendo envolver sessões periódicas (a cada 40 dias ou trimestralmente) e tratamentos mais prolongados em casos de grandes perdas de peso.
Efeitos no corpo
No corpo, o foco está na melhora da flacidez e no fortalecimento muscular. A perda de peso rápida pode levar não só à flacidez cutânea, mas também à redução de massa muscular, o que reforça a necessidade de intervenção precoce.
Tratamento
A atividade física é considerada indispensável e insubstituível nesse processo. Tecnologias como radiofrequência, ondas de choque e equipamentos de estímulo eletromagnético (como os de fortalecimento muscular) são aliados importantes, mas não substituem o exercício.
A combinação entre estímulo muscular e tratamento da pele é o que garante melhores resultados estéticos e funcionais.
Acompanhamento
O tratamento deve ser individualizado, considerando idade, volume de emagrecimento, características da pele e estilo de vida. O acompanhamento frequente, muitas vezes mensal, permite ajustes ao longo do processo.
Além disso, é fundamental uma abordagem multidisciplinar, com suporte médico para garantir reposição nutricional adequada e condução segura do emagrecimento.
Preparo
pacientes que já cuidavam da pele antes de emagrecer costumam apresentar menos flacidez e melhor recuperação. Por isso, o acompanhamento dermatológico desde o início do processo é considerado essencial.
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