ArcelorMittal prevê melhora e redução na "invasão chinesa"
Empresa teve resultado negativo de R$ 2,2 bi em 2025, por conta da contabilidade de uma compra, mas projeção para este ano é positiva
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A ArcelorMittal encerrou 2025 com resultado final negativo de R$ 2,2 bilhões, em um cenário pressionado pelo avanço das importações de aço e por tarifas aplicadas pelos EUA. A empresa, porém, projeta melhora para este ano, condicionada à redução das compras externas, o que inclui, por exemplo, a “invasão chinesa” de aço importado.
No Espírito Santo, o Laminador de Tiras a Frio (LTF) previsto para a unidade de Tubarão, na Serra, segue em andamento e não foi interrompido. O projeto, estimado em R$ 4 bilhões, está na fase final de estudo de viabilidade e é voltado à produção de aço laminado a frio e galvanizado, insumo utilizado pela indústria automotiva, de eletrodomésticos e da construção civil.
“Desde quando anunciamos que iríamos fazer o estudo de viabilidade, em nenhum momento a gente parou”, afirmou o presidente da ArcelorMittal Brasil, Jorge Oliveira. Segundo ele, a decisão final está diretamente ligada ao comportamento das importações.
A expectativa da empresa é de que esse movimento comece a se reverter neste ano. “Pode começar no segundo trimestre e se consolidar até o terceiro trimestre”, disse.
Segundo o balanço, a receita líquida — total arrecadado com vendas, já descontados impostos e abatimentos — somou R$ 61,76 bilhões, com recuo de 7,2% frente a 2024. Já o EBITDA — indicador que mede o resultado operacional da empresa, antes de juros, impostos e despesas financeiras — foi de R$ 8,08 bilhões, queda de 12%.
O resultado final foi impactado pelo reconhecimento contábil da aquisição da Votorantim Siderurgia, no valor de R$ 2,9 bilhões, registrado no resultado financeiro de 2025. Segundo Oliveira, esse efeito não reflete o desempenho operacional. “Excluindo esse efeito, o resultado seria positivo”, afirmou.
Segundo a empresa, o principal fator de pressão sobre os resultados foi o avanço das importações de aço. Dados do setor indicam que as compras externas de laminados atingiram 5,7 milhões de toneladas em 2025, com alta de 20,5% em relação a 2024 e crescimento de 160% frente à média histórica.
A empresa relaciona a expectativa de melhora às medidas de defesa comercial adotadas pelo governo federal e às que ainda estão em análise. “Já tem ações aprovadas e outras em andamento, e isso deve trazer resultado este ano”, disse Oliveira.
Investimento de R$ 4 bilhões no Estado vai para reta final
O projeto do Laminador de Tiras a Frio (LTF) previsto para a ArcelorMittal Tubarão, na Serra, está em vias de avançar para a reta final de definição e segue mantido pela companhia. Com investimento estimado em cerca de R$ 4 bilhões, a iniciativa é considerada estratégica para ampliar a produção de aço laminado a frio e galvanizado no País, insumo utilizado por setores como o automotivo, eletrodomésticos e construção civil.
Segundo o presidente da ArcelorMittal Brasil, Jorge Oliveira, o estudo de viabilidade do projeto está próximo da conclusão. “O estudo está caminhando para a reta final de conclusão, ou mais alguns meses aí a gente conclui”, afirmou.
O executivo destacou ainda que o andamento do projeto foi mantido desde o anúncio. “Desde quando anunciamos que íamos fazer o estudo de viabilidade, em nenhum momento a gente parou”, disse.
No campo ambiental, o projeto segue em análise pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Oliveira informou que o pedido de complementação de informações feito pelo órgão faz parte do trâmite normal do licenciamento.
“Não existe nada, até esse momento, impeditivo do licenciamento para o projeto”, afirmou.
A nova unidade é planejada para agregar valor à produção da empresa no Estado.
DETALHES
Resultados financeiros de 2025
> Conta final: R$ -2,2 bilhões
> Receita líquida: R$ 61,76 bilhões
> EBITDA: R$ 8,08 bilhões
Outros dados
> Produção de aço: 15,14 milhões de toneladas, queda de 1,3%
> Vendas: 14,9 milhões de toneladas, baixa de 1,9%.
Impacto da Votorantim
> Reconhecimento contábil de R$ 2,9 bilhões em 2025: relacionado à aquisição da Votorantim Siderurgia
> Segundo a empresa, sem esse efeito o resultado seria positivo
Importações de aço
> 5,7 milhões de toneladas de laminados em 2025: Alta de 20,5% sobre 2024. Crescimento de 160% frente à média de 2000 a 2019
Medidas de defesa comercial
Aplicação de medidas antidumping já aprovadas, além de:
> Novas ações em andamento, incluindo: bobina a quente fio-máquina; renovação do sistema de cota-tarifa em análise; medidas dependem de tramitação no governo e no Mercosul
> Expectativa de efeito ao longo de 2026: projeção é de queda das importações nos próximos meses
> Possível reversão a partir do 2º trimestre e consolidação até o 3º
Fonte: ArcelorMittal Brasil.
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