Consumo de livros aumenta e mulheres são campeãs de leitura
Segundo pesquisa, foram 3 milhões de novos compradores em um ano. Mulheres são 61% do total, sendo 30% pretas e pardas
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Impulsionado principalmente pelas mulheres, o consumo de livros voltou a crescer no Brasil em 2025 e atraiu cerca de 3 milhões de novos compradores em um ano. O público feminino representa a principal força do mercado editorial no País.
Segundo a pesquisa Panorama do Consumo de Livros – da Câmara Brasileira do Livro, com realização da Nielsen BookData – 18% da população com 18 anos ou mais adquiriu ao menos um livro nos últimos 12 meses, um crescimento de 2 pontos percentuais em relação a 2024. Isso representa 3 milhões de novos consumidores no período.
A presidente da Câmara Brasileira do Livro, Sevani Matos, destacou que esse crescimento em um único ano mostra que o livro mantém sua relevância e que há espaço consistente para a expansão do mercado editorial brasileiro.
“Esse avanço é resultado de um ecossistema que envolve editoras, livrarias, autores, influenciadores, políticas públicas e iniciativas de incentivo à leitura”.
Sevani frisou que o levantamento ainda apontou o protagonismo das mulheres pretas e pardas, que representam 30% do total de consumidores de livros e metade das mulheres que compram livros.
A pesquisa também aponta que o maior crescimento ocorreu entre os jovens. As faixas de 18 a 34 anos avançaram 3,4 pontos percentuais em relação a 2024.
Para Sevani Matos, as comunidades virtuais têm papel central nesse movimento. “As redes sociais se tornaram uma porta de entrada para novos leitores. Criadores de conteúdo, recomendações online e comunidades virtuais têm ampliado o alcance da literatura, especialmente entre os mais jovens”.
Dados do varejo indicam que os títulos de ficção, especialmente os “young adult”, tiveram papel decisivo nessa alta.
Jonas Reis, jornalista, escritor e presidente da Academia Espírito-Santense de Letras, afirmou que começa-se a perceber esse aumento na procura por livros.
“Quando se diz que esse aumento se reflete mais no segmento feminino, é justificável. A mulher vive uma fase atípica no Brasil. Muito demandada. É mãe, profissional e também vive a agressão, o feminicídio. Isso resulta na busca para entender melhor a realidade”.
Ele aponta, ainda, que o livro ajuda a ser um cidadão melhor, mais consciente, inclusive dos direitos. “O público feminino é um segmento considerado importante pelas editoras. A historiadora Mary Mary Del Priore, por exemplo – que virá a Vitória em 26 de maio para palestra em evento da Academia – lançou agora um livro exatamente para esse segmento”.
Interação
Clube do livro
Cliente assídua de uma livraria de um shopping da Serra, Thaynara Ferreira conta que começou lendo romances e depois foi pegando o gosto pela leitura. Em meio a isso, ela ingressou em um clube do livro após uma interação nas redes sociais. “A gente completa um ano no mês que vem, sendo que eu estou há nove meses. Nós somos em 33 pessoas e nos falamos nas redes sociais, isso ajuda bastante”, ressaltou. Ela conta que neste ano já leu cerca de 12 livros.
Leitoras Assíduas
Hábito de infância
Aos 25 anos, a estagiária em Desenvolvimento de Software Ana Laura Brito mantém na leitura um hábito que começou ainda na infância, quando passava parte do tempo na biblioteca da escola.
Incentivada pelo pai, ela cresceu cercada por livros e guarda até hoje exemplares da adolescência. “Passei um período lendo no Kindle, mas voltei aos livros físicos para reduzir o tempo diante das telas”, contou.
Incentivo da filha
A vendedora Rejane Maysa sempre gostou muito de ler e contou que o incentivo veio com a filha, de 22 anos. “Ela gosta muito de leitura também. Então eu compro para mim, depois ela compra o que ela gosta e a gente sai trocando”, contou.
Apesar de gostar, ela diz que teve uma pausa no hábito, mas está tentando retomar. “Quando eu me interesso mesmo, eu gosto de ler dois, três livros em até um mês”.
Fique por dentro
Maioria comprou obras impressas
Pesquisa
- O Panorama do Consumo de Livros foi feito pela Câmara Brasileira do Livro, com realização da Nielsen BookData.
- O estudo analisou o comportamento de compra de livros no Brasil, envolvendo 16 mil entrevistas com pessoas maiores de 18 anos, cobrindo todas as regiões.
Alguns resultados
Compras
- 18% da população com 18 anos ou mais adquiriu ao menos um livro nos últimos 12 meses
- 2 pontos percentuais foi o crescimento em relação a 2024, o que representa cerca de 3 milhões de novos consumidores no período.
Motivos de quem não comprou
- 28% foram desmotivados por falta de livraria por perto.
- 35% disseram que livros são caros.
- 16,3% afirmaram ter baixado livros digitais gratuitos.
- 16,1% tinham acesso a PDF gratuito.
Mulheres
- 61% do total de consumidores de livros são mulheres.
- 30% dos consumidores de livros são mulheres pretas e pardas.
- Elas também representam metade das mulheres que compram livros.
Jovens
- Jovens – entre 18 a 34 anos – foram as que mais avançaram: 3,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Livros de colorir
- 7,1% da população adulta (11 milhões de pessoas) compraram ao menos um exemplar de livros de colorir.
Compras por site
- 56% dos consumidores de livros costumam fazer compras por meio das redes sociais.
- As mulheres entre 25 e 54 anos representam 76% das consumidoras que compram pelas plataformas.
Impresso x digital
- 80% adquiriram um livro impresso
- 20% compraram a versão digital.
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