É possível sentir saudade de viver uma época que não viveu? Especialista explica
Nostalgia entre jovens reflete busca por identidade e desaceleração — com risco de idealização do passado
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A busca por experiências e objetos antigos também pode estar relacionada a uma espécie de saudade do passado. Segundo especialistas, é possível sentir saudade até mesmo de uma época que não foi vivida.
O psicólogo Lucas Protti, que atende jovens e adolescentes, explica que o sentimento de nostalgia não depende necessariamente de uma experiência direta.
“A nostalgia pode surgir a partir de imagens, histórias, filmes e até das redes sociais. É como uma memória construída, ou até emprestada, que ainda assim produz algum afeto”, explica.
Segundo Lucas, essa busca também pode revelar uma vontade de desacelerar.
“Fazer crochê ou colocar para tocar um disco de vinil, por exemplo, exigem presença, repetição e até um certo cuidado. Por serem atividades mais lentas, essas práticas acabam criando pequenas pausas na rotina corrida”.
De acordo com a psicóloga Valkíria Gomes, esses interesses também ajudam os jovens no processo de construção de uma identidade própria.
“Quando alguém se interessa por vinil, câmera analógica ou crochê, não é só sobre o objeto. Existe uma busca por identidade, além de uma procura por conforto, conexão e estabilidade emocional”.
Segundo ela, esse movimento também se relaciona ao desejo de viver experiências mais próximas de um “tempo analógico”, com conexões mais profundas.
Apesar de todos os benefícios, o psicólogo Tássio Jubini alerta para o risco de acabar romantizando muito o passado. Por isso, em se tratando de passado, o caminho é buscar o equilíbrio.
“O passado que aparece nessas práticas é filtrado e, muitas vezes, idealizado. Ao ignorar conflitos e limitações de outras épocas, cria-se uma espécie de refúgio ilusório, o que pode gerar frustração. Ao invés de apenas voltar ao passado, podemos resgatar bons hábitos que foram esquecidos”.
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