Entenda a lesão muscular de grau quatro, que pode tirar Estêvão da Copa
Nesse estágio, o músculo se rompe completamente e, em alguns casos, pode perder também sua ligação com o osso, com a ruptura do tendão
Siga o Tribuna Online no Google
A lesão muscular que o atacante Estêvão, do Chelsea, sofreu pode ter sido causada por uma série de razões, mas excesso de estímulo e descanso inadequado são as mais comuns, segundo especialistas consultados pela Folha.
O incidente também pode ser provocado por uma pancada no músculo quando ele está contraído. Nessa circunstância, a lesão pode ocorrer em qualquer pessoa que pratique alguma atividade física, por exemplo.
Segundo o site The Athletic, que faz parte do conglomerado de mídia The New York Times, o grau da lesão sofrida pelo atacante brasileiro foi classificado como quatro, o mais grave.
Nesse estágio, o músculo se rompe completamente e, em alguns casos, pode perder também sua ligação com o osso, com a ruptura do tendão. Estêvão se machucou no sábado (18), durante uma partida do Chelsea, time que defende atualmente, contra o Manchester United. A lesão pode deixá-lo fora da Copa do Mundo que será disputada em junho nos Estados Unidos, México e Canadá.
O QUE É A LESÃO MUSCULAR
A lesão muscular é caracterizada pelo rompimento da fibra muscular, e seu grau varia de acordo com a quantidade de fibras rompidas, segundo o ortopedista José Luís Zabeu, chefe da ortopedia do Hospital Vera Cruz.
"O músculo tem uma parte vermelha que contrai e expande e uma parte esbranquiçada, o tendão, que o liga ao osso. A lesão muscular é a ruptura na parte vermelha. A depender da gravidade, também na parte branca", explica.
Uma pessoa que pratica musculação, por exemplo, cria lesões no próprio músculo de maneira voluntária, para que ele possa se regenerar e ganhar mais volume, gerando massa muscular.
Esse tipo de lesão, classificado como micro, não tem potencial para limitar algum movimento --embora possa causar dores mais leves.
QUAIS OS GRAUS
A gravidade e o local do dano causado à fibra muscular determinam o grau da lesão, segundo Warlindo Neto, médico que integrou o Time Brasil nas Olimpíadas do Rio 2016, Tóquio 2021 e Paris 2024.
"Quando a lesão compromete pouca quantidade de fibras, de modo a não impedir o movimento do músculo, é grau um. O grau dois já tem um comprometimento do movimento, mas que não chega a 50%, além de um rompimento maior. O três já é o rompimento completo: o músculo se separa", explica o médico, que coordena a internação no Hospital Alvorada Moema.
Para se caracterizar como grau quatro, a lesão precisa, além do rompimento completo da fibra muscular, causar danos ao tendão.
COMO OCORRE
Warlindo Neto explica que uma das causas mais comuns é o desequilíbrio musculare.
O médico afirma que, habitualmente, temos mais força em um dos membros (braços ou pernas): nos direitos, se destros; nos esquerdos, se canhotos.
"Porém, essa diferença não pode passar de 10%", diz. "Para jogadores de futebol, busca-se uma diferença de 5%. Caso isso não ocorra, é como se houvesse um desfalque de força em um dos músculos, levando ao rompimento da fibra."
O médico explica que a fadiga muscular, a alimentação e a falta de descanso também podem explicar a lesão. A primeira sinaliza um limite de resistência do músculo; a segunda, os nutrientes que ele terá para se reconstruir; e a terceira, o tempo necessário para isso.
O ortopedista Everson Giriboni afirma que a lesão na fibra muscular também pode acontecer por "trauma de alta energia".
"Se você dobrar o dedo para baixo e forçá-lo nessa posição, qualquer força brusca na direção oposta pode lesionar o músculo. Ou seja, se alguém puxar seu dedo para cima de repente, pode haver uma lesão. O mesmo se aplica a outras lesões musculares", afirma.
Pessoas sedentárias, diz ele, são mais propensas a lesões por essa causa. "O músculo fica enrijecido pela falta de estímulo e não suporta uma demanda repentina, pois está sem elasticidade", explica.
QUANTO TEMPO LEVA A RECUPERAÇÃO
Segundo os especialistas, a regeneração completa do músculo pode acontecer de três a seis meses, a depender de como ela é conduzida.
Se constatado um rompimento do tendão, Estêvão deve ser submetido à cirurgia, o que pode estender o período necessário para a recuperação.
Desrespeitar o tempo adequado pode levar a uma nova lesão que, segundo os médicos, configuraria um cenário mais grave.
O fisioterapeuta Avelino Buongermino, que atuou por 13 anos como coordenador de fisioterapia do Santos, afirma que a lesão de Estêvão na parte posterior da coxa atinge um "músculo importante do arranque, da potência muscular".
Ele diz que, a depender da confirmação da gravidade da lesão, a equipe do jogador pode optar por um tratamento alternativo, na tentativa de recuperá-lo a tempo da Copa do Mundo.
"Pode ser que seja sugerido um tratamento conservador, sem cirurgia, o que não é o mais comum nesses casos", afirmou Buongermino.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários