Vida de pesca: amor ao mar resiste aos custos altos e aos limites
Entre paixão e desafios, pescadores enfrentam custos altos, regras rígidas e incertezas no mar
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O amor pelo mar fala alto entre os pescadores — tanto que, quando perguntados sobre os desafios da profissão, alguns precisam pensar antes de responder. Mas, aos poucos, as dificuldades vêm à tona.
“O tempo ruim às vezes não deixa a gente pescar. O preço do combustível também é um desafio”, conta o pescador Isaias Sabadine, 69 anos. Há 15 anos, ele decidiu se dedicar integralmente à atividade, em parte por causa do desgaste físico de outras profissões.
“Hoje eu vivo disso. Antes, trabalhei em várias empregos, como pedreiro, mas meus braços já não aguentavam aquele tipo de serviço. A pescaria é mais leve”, diz.
O aumento do diesel, e também das taxas, também pesa no dia a dia de Bras Clarindo Filho, pescador experiente de Vitória, nascido em Conceição da Barra.
Dono de embarcações desde “que nasceu” - a família já tinha barco - ele afirma que os custos têm avançado mais rápido do que a renda.
“O diesel vai aumentar 25% e eu não tenho como repassar isso no meu produto. A exportação também está sendo taxada. Está difícil vender para fora”.
Para ele, no entanto, o maior entrave está nas regras da atividade.
“É tanta proibição que a gente acorda no outro dia sem saber o que fazer. É portaria em cima de portaria, muitas vezes sem estudo, oprimindo o pescador brasileiro”.
Já para Antônio Newton, 68 anos, as dificuldades existem — mas ficam em segundo plano diante do vínculo com o mar.
“Quem é pescador é porque gosta. A pesca não é fácil, mas eu gosto de navegar, pescar meu peixe, ver o mar e o sol nascendo lá fora”.
Ele começou ainda jovem, influenciado pelo pai, que pescava em rios. Anos depois, já em Vitória, se aproximou dos pescadores locais e nunca mais deixou a atividade. Hoje, integra a colônia Z-11, na Serra.
“Já pesquei tubarão, mas ele vem de forma incidental. Tem outros peixes que a gente prefere para exportar”, relata.
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