PF mira novos suspeitos 'pombos-correios' de líderes de facção na cadeia no ES
Grupo é investigado por atuar na transmissão de ordens e mensagens entre lideranças criminosas de dentro do presídio a seus subordinados
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Uma nova operação 'Scriptor' da Polícia Federal (PF), deflagrada na manhã desta quinta-feira (23), mirou possíveis novos integrantes de um grupo criminoso investigado por atuar como 'pombos-correios' de lideranças de facções de dentro do sistema prisional ao 'mundo exterior' no Espírito Santo. De acordo com a investigação, os suspeitos, entre eles advogados, atuavam na transmissão de ordens e mensagens entre lideranças criminosas de dentro do presídio a seus subordinados.
Em outubro de 2025, nove pessoas foram presas suspeitas de participação no esquema. Entre os investigados, estava um advogado, acusado de manter comunicação direta com líderes de facções criminosas dentro e fora de presídios, atuando como mensageiro de ordens e estratégias do crime organizado.
A partir de materiais apreendidos que estavam em poder do advogado, foram revelados novas dinâmicas e outros possíveis envolvidos no esquema de repasse de informações. Diante dos fatos, nesta quinta-feira (23), foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão.
Como funcionava o esquema
A análise do material apreendido revelou que o advogado mantinha comunicação ativa com ao menos quatro lideranças criminosas de alta relevância no cenário capixaba, funcionando como mensageiro e articulador externo. Por meio de suas ações, ele viabilizava a transmissão de ordens estratégicas e a coordenação das atividades ilícitas, permitindo que os líderes continuassem comandando os núcleos operacionais mesmo de dentro dos presídios.
Segundo a Polícia Federal, os materiais analisados demonstraram que as mensagens repassadas eram relacionadas à produção, preparo e à comercialização de entorpecentes, à aquisição, guarda e circulação de armas de fogo, bem como à movimentação de valores expressivos provenientes do tráfico de drogas.
Foram identificados, ainda, registros de transferências bancárias de valores elevados e instruções técnicas detalhadas para o preparo de substâncias entorpecentes, repassadas de dentro do sistema prisional para integrantes em liberdade.
Investigação
Ainda de acordo com a PF, a nova fase da operação tem por objetivo interromper o fluxo de ordens ilícitas, enfraquecer a estrutura financeira e logística do grupo criminoso, identificar e qualificar novos integrantes ainda não individualizados, bem como, reunir elementos que permitam o aprofundamento da persecução penal e a responsabilização dos envolvidos.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram arrecadados aparelhos celulares, documentos, anotações e outros materiais de interesse para a investigação, que serão submetidos à análise técnica pela equipe de Polícia Judiciária.
O nome “Operação Scriptor” faz referência ao termo latino scriptor, que significa “escritor” ou “aquele que redige”, em alusão ao papel de redator e mensageiro desempenhado pelo advogado investigado na fase originária, responsável pela transmissão de comunicações ilícitas entre lideranças criminosas custodiadas e seus subordinados em liberdade.
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