Exposição “Amazônia”, de Sebastião Salgado, movimenta o Cais das Artes, em Vitória
Primeira exposição a ocupar um dos mais importantes equipamentos culturais do Espírito Santo, mostra fica aberta ao público até junho
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A exposição “Amazônia”, do fotógrafo Sebastião Salgado, segue em alta no Cais das Artes, em Vitória. A grande movimentação de visitantes confirma a forte adesão do capixaba a uma das mostras mais relevantes da fotografia contemporânea em cartaz no País.
A mostra, aberta à visitação até junho, marca a inauguração do Cais das Artes e é a primeira exposição a ocupar um dos mais importantes e aguardados equipamentos culturais do Estado.
“Amazônia” vai além de uma exposição: é uma jornada sensorial. Ao entrar no espaço, o visitante é convidado a abandonar o cotidiano urbano e a mergulhar em um universo onde tempo e natureza se entrelaçam. São 204 fotografias em grande formato, acompanhadas por vídeos com depoimentos de lideranças indígenas, que revelam não apenas a grandiosidade da floresta, mas também a força e a sabedoria de seus povos originários.
Com curadoria de Lélia Wanick Salgado, a exposição foi concebida como uma experiência imersiva. Imagens suspensas em diferentes alturas, estruturas inspiradas em ocas indígenas e a integração entre som, imagem e espaço criam um ambiente que envolve completamente o visitante. Não se trata apenas de observar, mas de sentir.
Lélia conta que a exposição é fruto de uma expedição que durou 7 anos e se embriagou no coração da floresta amazônica. São retratos fiéis da fauna, da flora e dos povos originários, em contraste com o avanço civilizatório que desmata.
Aos visitantes, Lélia pede não só atenção, mas reflexão e defesa da floresta amazônica. “Que as pessoas saiam daqui com outra Amazônia na cabeça, porque todo mundo pensa que a Amazônia é só árvore e rio. Não, a Amazônia tem floresta, tem cadeias de montanhas maravilhosas, tem cachoeiras maravilhosas”.
Imersão
A trilha sonora original, composta pelo músico francês Jean-Michel Jarre, aprofunda ainda mais essa imersão. A composição de 50 minutos foi criada a partir de registros sonoros coletados na Amazônia ao longo de várias décadas. Sons da floresta e elementos da cultura indígena ecoam pelo espaço, criando uma atmosfera que ressoa no corpo e permanece na memória.
Ao longo do percurso, o público pode assistir a sete filmes com depoimentos de lideranças indígenas, gravados em suas próprias línguas. Os relatos abordam território, cultura, modos de vida e os desafios da preservação, reafirmando o papel central dos povos indígenas na narrativa da exposição.
Tendo encantado mais de 2,5 milhões de pessoas em 20 cidades ao redor do mundo, com passagens por Paris, Roma e Londres, além de cidades brasileiras como Rio de Janeiro, São Paulo e Belém, a exposição chega agora ao Espírito Santo carregada de significado.
Sua vinda ocorre quase um ano após a morte de Sebastião Salgado, em maio de 2025, transformando a mostra em um encontro com o legado de um dos maiores nomes da fotografia contemporânea.
Instituto Terra
Uma das seções da exposição é dedicada ao Instituto Terra, fundado por Lélia e Sebastião Salgado. A instituição transformou uma área degradada em Aimorés (MG) em um dos mais relevantes projetos de restauração ambiental do País. Desde 1998, vem restaurando mais de 2.300 hectares de Mata Atlântica, com o plantio de mais de 3,5 milhões de árvores, promovendo também a recuperação de diversas espécies da fauna nativa.
O trabalho inclui ainda programas de educação ambiental e iniciativas como o Terra Doce, voltado à recuperação da bacia do Rio Doce, com apoio a produtores rurais na restauração de nascentes e na adoção de práticas sustentáveis.
Parceria
A exposição “Amazônia” conta com o patrocínio global da Zurich Insurance Group, que desde 2020 também oferece apoio exclusivo ao projeto de reflorestamento e biodiversidade do Instituto Terra.
“A parceria global estabelecida pela Zurich com Sebastião Salgado e o Instituto Terra reflete nosso compromisso com a proteção do futuro do planeta e de todos os seus habitantes. Desde 2020, por meio do projeto Floresta Zurich (Zurich Forest), apoiamos o Instituto Terra na restauração da Mata Atlântica, garantindo sua biodiversidade com o plantio de um milhão de árvores. Em 2022, ampliamos esse apoio, possibilitando que a organização quase triplicasse sua área de restauração até 2024”, destaca Laurence Maurice, CEO da Zurich na América Latina.
“Mais uma vez, os brasileiros podem vivenciar a exposição Amazônia. Imagem por imagem, ela revela o delicado e frágil equilíbrio entre a natureza e o ser humano. Graças ao cuidado minucioso de Lélia Wanick Salgado, a exposição se alinha plenamente à nossa visão, ampliando seu significado e impacto”, afirma Edson Franco, CEO da Zurich Seguros no Brasil.
Em Vitória, a exposição é realizada pelo Cais das Artes, sob gestão da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), em cooperação com o governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura.
Saiba Mais
Exposição Amazônia, Sebastião Salgado
- Aberta à visitação de quinta a domingo, das 10h às 18h (até junho de 2026)
- Entrada gratuita: ingressos devem ser retirados através de link nas redes sociais do Cais: Instagram: @expoamazoniabr | @caisdasartes.es
- Classificação livre
- Cais das Artes – Enseada do Suá, Vitória