Assessor da Assembleia Legislativa é exonerado por suspeita de rachadinha
Servidor estava lotado no gabinete da deputada Gleide Ângelo, mas seu gabinet informou que os fatos ocorreram em mandatos anteriores ao seu
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A Operação Draft - deflagrada pela 1ª Delegacia de Combate ao Crime Organizado para desarticular um suposto esquema de "rachadinha" na Assembleia Legislativa (Alepe) - resultou na exoneração de mais um investigado. O assessor especial Arthur Valença de Luna teve o desligamento publicado no Diário Oficial. Ele é suspeito de integrar a rede que teria desviado entre R$ 2,8 milhões e R$ 6 milhões do erário.
A saída de Arthur, assinada pelo presidente da Alepe Álvaro Porto (MDB), ocorreu no dia 17 de abril. O ato administrativo veio a público dois dias após agentes cumprirem mandados de busca e apreensão nas residências dos ex-deputados Romário Dias e Leonardo Dias, além de outros seis alvos, entre eles, o próprio Arthur.
Gabinete de Gleide Ângelo nega conhecimento
Antes do afastamento, Arthur estava lotado no gabinete da deputada estadual Gleide Ângelo (PP). Em nota, a parlamentar — que é delegada licenciada — afirmou que não tinha conhecimento das investigações no momento da contratação. A assessoria reforçou que os fatos apurados ocorreram em legislaturas passadas, quando o servidor atuava em outro gabinete.
"A medida demonstra responsabilidade administrativa e compromisso com a adoção imediata das providências cabíveis", diz trecho da nota. O gabinete pontuou ainda que Gleide mantém sua trajetória de defesa da legalidade e está à disposição das autoridades.
Portas blindadas e o "gabinete do crime"
A investigação, iniciada em 2023, aponta a existência de um suposto "gabinete do crime" operando entre 2015 e 2019. O foco central das diligências recai sobre o mandato de Romário Dias (2014-2022). O filho dele, Leonardo Dias, também foi alvo e, segundo relatos, teria demorado a abrir a porta blindada de seu apartamento durante a chegada da polícia.
Leonardo, que ocupava o cargo de secretário executivo de Micro e Pequena Empresa no Governo do Estado desde 2025, também foi exonerado. Até o momento, a Polícia Civil não confirmou prisões.
O Tribuna Online PE não conseguiu contato com a defesa de Arthur Valença Luna e dos ex-deputados Romário e Leonardo Dias, mas mantém o espaço aberto para manifestações.
Veja como funcionava o susposto esquema investigado pela operação Draft aqui: Rachadinha na Alepe: ex-deputado é alvo de esquema de até R$ 6 milhões
Veja a nota na íntegra enviada pelo gabinete da deputada Gleide Ângelo
"O gabinete da Deputada Delegada Gleide Ângelo esclarece que a exoneração do servidor citado foi formalmente solicitada em 16 de abril de 2026, conforme registro no sistema Alepe Trâmite, sob o número 000229/2026, encontrando-se o pedido em tramitação administrativa na Assembleia Legislativa de Pernambuco. A medida demonstra responsabilidade administrativa e compromisso com a adoção imediata das providências cabíveis no âmbito do gabinete, sempre com respeito aos trâmites legais e institucionais.
Destaca-se, ainda, que não há qualquer relação entre a investigação mencionada e o gabinete da Deputada Delegada Gleide Ângelo. O servidor é investigado por fatos ocorridos antes mesmo de Gleide Ângelo exercer o mandato de deputada estadual. À época dos fatos apurados, ele integrava outro gabinete parlamentar. Por essa razão, não havia conhecimento sobre qualquer investigação envolvendo o servidor no momento da contratação. Tão logo a apuração se tornou conhecida, foram adotadas as medidas cabíveis, sem prejuízo do seu direito à ampla defesa e ao devido processo legal.
A Delegada Gleide Ângelo tem uma trajetória pública marcada pela defesa da legalidade e pela atuação firme em favor da ética no serviço público. Por isso, reafirma sua total disposição em colaborar com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos, dentro do devido processo legal."
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