ES já registrou mais de 1.000 acidentes com escorpião em 2026
Municípios da Região Norte concentraram 540 ocorrências. Médicos recomendam buscar atendimento urgente após picada
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A morte de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, por picada de escorpião em São Paulo, no último dia 31 de março, acendeu um alerta no País quanto aos cuidados em casa para se proteger do animal.
No mesmo dia em que o Bernardo morreu, um bebê de apenas 1 ano e 2 meses também foi picado por um escorpião no município de Laranja da Terra, na Região Serrana do Espírito Santo, e precisou ser socorrido de helicóptero para Vitória, devido à gravidade do caso.
Somente neste ano, 1.100 acidentes com escorpião aconteceram no Espírito Santo. Os municípios da Região Norte, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), concentram o maior número de casos entre janeiro e março: 540. Em seguida vêm a Região Central, com 330; Região Metropolitana, com 140; e Sul do Estado, com 90 casos.
Marcelo Tavares, professor do Departamento de Ciências Biológicas da Ufes, explicou que os períodos quentes influenciam na atividade dos escorpiões, ou seja, eles são mais ativos. Além disso, as chuvas exercem influência sobre esses animais, já que, em grandes cidades, tendem a viver nas galerias de esgoto na procura por alimentos, que são as baratas.
“Durante a chuva, essas galerias enchem e eles, para fugirem, vão para a superfície. E, nas cidades, a presença deles também está relacionada a locais que têm certo acúmulo de lixo e de material de construção, criando um ambiente para eles se esconderem durante o dia, saindo à noite para caçar”.
O médico e referência técnica estadual do Programa Estadual de Vigilância e Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos, Nixon Sesse, destacou que nas regiões onde os casos são mais frequentes – consideradas regiões endêmicas –, a população deve ter um alerta maior pelo risco de acidente ser aumentado.
“O escorpião só pica se encostar nele, como ao calçar o sapato ou deitar na cama sem vê-lo. Ele fica ao abrigo da luz, em local mais escuro, tanto dentro quanto fora de casa. Em casa, ele pode subir pelo ralo do esgoto, entrar na tubulação de energia elétrica e frestas de portas e janelas, se abrigando, por exemplo, em armários, roupas de cama e calçados”, alertou.
O infectologista Paulo Peçanha alertou que as picadas do animal são geralmente dolorosas, mas, mesmo que os sintomas sejam leves no início, eles podem piorar rapidamente. “A picada pode ter complicações graves. Por isso, não é aconselhável ficar em casa, mas procurar atendimento médico urgente para tomar o soro antiescorpiônico”.
Os números
540 casos na Região Norte neste ano
412 casos registrados em Jaguaré
Saiba mais
Escorpiões
Os escorpiões são animais endêmicos, ou seja, existem regiões onde eles são mais frequentes e dificilmente serão erradicados. Por isso, é importante conhecer os dados epidemiológicos do local onde se vive. Em áreas onde há mais registros, o risco de acidentes é maior e a população deve estar mais atenta.
Influência do clima
Períodos mais quentes aumentam significativamente a atividade dos escorpiões. Nessa fase, eles se movimentam mais, saem em busca de alimento e acumulam energia para períodos mais secos e frios, quando há menor disponibilidade de presas.
Além disso, épocas de chuva contribuem para o aumento dos acidentes. Isso porque o acúmulo de água em galerias pluviais e redes de esgoto força os escorpiões a saírem desses ambientes, levando-os à superfície — muitas vezes invadindo residências.
Por que há mais escorpiões nas cidades?
A presença de escorpiões em áreas urbanas está diretamente relacionada a dois fatores principais:
Abrigo: acúmulo de entulho, restos de construção e materiais diversos cria ambientes escuros e protegidos, ideais para esses animais se esconderem durante o dia.
Alimento: o lixo orgânico favorece a proliferação de insetos, especialmente baratas — principal fonte de alimento dos escorpiões no meio urbano.
Além disso, muitos escorpiões vivem em galerias de esgoto, onde encontram abrigo e alimento com facilidade.
Uso de veneno pode piorar o problema
Um erro comum é aplicar veneno em ralos, caixas de gordura ou locais suspeitos. Isso pode agravar a situação.
Escorpiões são mais resistentes que as baratas aos inseticidas.
Ao entrar em contato com o veneno, eles tendem a fugir desses locais e, com isso, acabam invadindo as casas, saindo por ralos e tubulações.
Como prevenir a presença de escorpiões
A principal estratégia é o controle ambiental:
- Manter quintais e terrenos limpos.
- Evitar acúmulo de entulho e materiais de construção.
- Não deixar lixo orgânico exposto.
- Reduzir a presença de insetos.
- Tampar ralos (com tampa ou vedação de borracha).
- Instalar telas em janelas.
- Vedar frestas em portas.
O que fazer em caso de picada?
A orientação é lavar com água e sabão e procurar imediatamente o serviço de saúde para uso do soro antiescorpiônico.
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) oferece atendimento 24 horas pelo telefone 0800 283 9904.
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