Bandidos já usam bicicletas elétricas para cometer crimes na Grande Vitória
Líderes comunitários alertam para roubos em pontos de ônibus e ciclovias. Maiores vítimas são mulheres, idosos e estudantes
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A popularização das bicicletas elétricas tem feito com que criminosos “cresçam os olhos” não apenas para roubar esses veículos: bandidos estão usando as bikes para cometer crimes.
Levantamento feito pela reportagem mostra que as vítimas geralmente são mulheres, universitários, trabalhadores e idosos.
Todos têm algo em comum: estão a pé, em pontos de ônibus, a caminho de casa, do trabalho ou chegando em suas residências.
O presidente da Associação de Moradores da Praia da Costa, em Vila Velha, Henrique Born, contou que os relatos têm crescido nos últimos seis meses. Ele citou um roubo no bairro, há dois meses.
“No mesmo dia, tivemos o relato de um morador que teve a bicicleta furtada na ciclovia do calçadão e, logo depois, outro morador relatou que um bandido numa bike elétrica o rendeu na entrada de seu prédio e roubou seu cordão de ouro”.
O vereador da Serra Agente Dias, que é agente da Guarda Municipal, explicou que os criminosos atuam geralmente entre 5h30 e 7h, e de 17h às 18h. Ele relatou que pessoas em pontos de ônibus nas avenidas Mestre Álvaro e Eudes Scherrer de Souza são alvos mais frequentes.
“Por ter ciclovia nesses locais, eles trafegam de uma maneira muito rápida ou puxam o celular das mulheres, dos homens, que estão mexendo no ponto de ônibus. Ou eles chegam rendendo, já anunciando o assalto”, afirmou.
O presidente da Associação de Moradores de Itapoã, Valdenilson Lima, disse que as bikes elétricas são usadas para roubar celulares.
Ele explicou que, no último dia 14, participou de uma reunião do programa Rede Comunidade Segura, na 1ª Companhia do 4º Batalhão, com lideranças da região.
“Relatamos, entre as demandas sobre a segurança, o problema do uso das bikes elétricas em assaltos na nossa região”, afirmou.
Facilidade de fuga contribui para aumento de casos
A ausência de registro das bikes elétricas e a facilidade de fuga que dão para os criminosos são apontadas como fatores que têm ocasionado o aumento do uso desses veículos em crimes.
O presidente da Associação de Moradores da Praia da Costa, Henrique Born, observou que os registros das bicicletas deveriam ser associados ao código único gravado no quadro, essencial para registro e recuperação. “E os donos devem possuir esse código guardado em casa, junto à nota fiscal da bicicleta, para eventuais necessidades”.
Para Henrique Born, a legislação sobre as bikes elétricas é falha. “Poucas pessoas declaram a compra no Imposto de Renda, por exemplo, o que dificulta dar o destino correto quando vendem para terceiros”, avaliou.
O vereador da Serra Agente Dias, que é agente da Guarda Municipal, destacou que bandidos conseguem trafegar em cima de calçadas e na contramão com as bikes.
Ele explicou que, num bairro movimentado, em horário de saída de escola, horário de pico, em que há ônibus parando nos pontos, e em cruzamento sem sinalização, é quase impossível e muito arriscado uma viatura de quatro rodas tentar alcançar um bandido numa bicicleta elétrica em fuga.
“Essa bicicleta vai chegar a 32 km/h. Se eles conseguirem desbloquear, ela pode chegar a 40 km/h e uma viatura dentro de um bairro para chegar a essa velocidade, corre-se o risco de atropelar um inocente”, afirmou.
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