Exames concluem que material encontrado em ruas da Mata da Praia é venenoso
Segundo a polícia, substância pode causar danos graves em animais e humanos
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Exames laboratoriais confirmaram que o material encontrado por moradores em ruas do bairro da Mata, em Vitória, no mês de março, é tóxico. A denúncia, realizada no último dia 18, apontava a presença de uma substância rosa em alamedas na região — gerando temor pelo risco de ingestão por animais e crianças.
Em entrevista ao Tribuna Notícias 1ª Edição, da TV Tribuna/Band, o delegado Leandro Piquet, responsável pelo Núcleo de Proteção Animal da Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente (DEPMA), afirmou que trata-se de um raticida a base de bromadiolona, que pode causar hemorragias em animais e humanos.
"Foi constatado que se trata de bromadiolona, uma substância presente em raticidas. É um anticoagolante, que causa danos sérios a animais e pessoas, caso seja ingerido", explicou o delegado. Segundo ele, o material foi recolhido pela corporação logo após o recebimento da denúncia, e diversos exames foram realizados para a confirmação.
"Nós viemos aqui após uma denúncia da própria comunidade e recolhemos as substâncias que ficaram no local. A comunidade já havia começado a limpar o local com medo dessa toxina e logo em sequência teve uma chuva que também lavou um pouco essa situação, mas conseguimos coletar a substância e mandamos para a Polícia Científica, que fez um trabalho brilhante", continuou.
Ainda de acordo com o delegado, o trabalho de identificação foi minucioso, pois a perícia nunca havia analisado esta substância. "A equipe coleta sinais dessa substância, compara com o que nós suspeitamos, vai na literatura e faz esse cruzamento de dados para chegar nessa informação", detalhou.
Nenhum animal ou humano foi afetado pela substância na região. O delegado disse, ainda, que o responsável pelo uso da toxina pode responder por diversos crimes contra a saúde pública e o meio ambiente, caso seja identificado. A polícia, agora, busca por câmeras de segurança que possam auxiliar na continuidade das investigações.
"Quem tiver câmeras, por favor, ajude a polícia. Nós já notificamos algumas casas mas não tivemos resposta positiva, diversos aparelhos estão desligados ou com curtos espaços de gravação", concluiu.
O que diz a prefeitura
Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Vitória informou que o material é usado para controle de caramujos nos canteiros e jardins da cidade. A pasta disse, ainda, que o produto é licenciado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
"Esse trabalho foi feito recentemente na região por conta das chuvas, período no qual essas pragas urbanas mais aparecem. É aplicada uma isca específica, conhecida como lesmicida, utilizada no combate a caramujos e classificada como produto domissanitário, voltado ao uso profissional", explicou.
Já o Centro de Vigilância em Saúde Ambiental afirmou que está ciente da situação e que o serviço não utiliza as marcas do produto encontrado no local.
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