Narco Fluxo: o que se sabe sobre operação que prendeu famosos e fez buscas no ES
MCs Ryan SP e Poze do Rodo são suspeitos de participar de esquema que movimentou R$ 1,63 bilhão em lavagem de dinheiro
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Uma operação da Polícia Federal contra um esquema de lavagem de dinheiro – que movimentou R$ 1,63 bilhão – levou à prisão os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de influenciadores digitais.
Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária nessa quarta-feira (15) em São Paulo, Rio de Janeiro e outros estados, incluindo Vitória e Serra, no Espírito Santo. Os alvos no Estado e o que foi apreendido não foram informados pela Polícia Federal.
A polícia apreendeu veículos que somam cerca de R$ 20 milhões, relógios de luxo, joias, dinheiro, celulares e armas.
A Operação Narco Fluxo é um desdobramento da Operação Narco Bet. Segundo a PF, profissionais do meio musical criaram um sistema sofisticado e complexo para movimentar recursos ilícitos.
Eles mesclavam as atividades artísticas com transferências de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie e operações bancárias de alto valor. Os investigadores apontaram MC Ryan como líder da estrutura criminosa.
Segundo o processo, que tramita na 5ª Vara Federal de Santos, no litoral paulista, Ryan usava empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para mesclar receitas legítimas com dinheiro arrecadado com apostas ilegais e rifas digitais.
A PF afirmou que o influenciador criou e estruturou formas para blindar seu patrimônio, transferindo participações societárias para familiares e laranjas. Ele usava uma rede de operadores financeiros para disfarçar sua relação com o dinheiro ilícito de apostas ilegais.
Depois que a origem dos valores era dissimulada, ainda segundo a PF, o dinheiro era reinvestido na compra de imóveis de luxo, veículos, joias e ativos de alto valor.
Entre os operadores financeiros está o contador Rodrigo de Paula Morgado, preso na Operação Narco Bet em outubro de 2025. Ele foi apontado como contador e operador-chave do grupo, articulando transferências bancárias e auxiliando no processo de proteção patrimonial de MC Ryan.
Já MC Poze apareceu na investigação como um dos vinculados a empresas relacionadas à movimentação do dinheiro que vinha de rifas digitais e apostas.
Os envolvidos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O que se sabe sobre o caso
Operação
A Polícia Federal deflagrou nessa quarta a Operação Narco Fluxo, com o objetivo de desarticular associação criminosa voltada à movimentação ilegal de valores com uso de criptoativos no Brasil e no exterior. O volume financeiro movimentado pelo grupo ultrapassa R$ 1,6 bilhão.
Mais de 200 policiais federais cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos/SP, em endereços localizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
Esquema
O esquema de lavagem de dinheiro supostamente liderado por MC Ryan teria movimentado R$ 1,63 bilhão em 24 meses, de acordo com a Polícia Federal.
A investigação aponta que o artista é suspeito de utilizar empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar receitas lícitas com valores ilícitos.
Segundo a investigação, os recursos ilícitos tinham origem principalmente na exploração de jogos de azar não regulamentados, apostas de bets, rifas digitais clandestinas e práticas de estelionato digital. Há ainda indícios de utilização do esquema para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas.
Lavagem de dinheiro
A organização usava vários métodos para esconder a origem desses valores, segundo os investigadores.
A PF identificou uma ampla rede de empresas de fachada, em nome de laranjas, segundo relatórios apresentados à Justiça Federal.
Os documentos apontam que o dinheiro sujo era pulverizado para essas firmas com o objetivo de dificultar o rastreamento.
Caminho do dinheiro
Etapa 1: Origem do dinheiro
Rifas ilegais, apostas digitais não regulamentadas, estelionato online e possíveis valores oriundos do narcotráfico
Empresas processadoras de pagamento captam o dinheiro.
Etapa 2: Ocultação e dissimulação
Dinheiro é enviado a empresas de fachada e firmas em nome de laranjas
Os valores são pulverizados por meio de centenas de transferências fracionadas (“smurfing”), evitando sistemas de detecção.
Parte dos recursos é convertida em criptoativos e enviada ao exterior
Etapa 3: Mesclagem de recursos (“commingling”)
Valores são destinados a empresas de produção musical, entretenimento e marketing digital.
Os recursos ilícitos são misturados com receitas legítimas dessas empresas, criando aparência de legalidade e dificultando a identificação da origem dos valores.
Etapa 4: Luxo
O capital é reinserido por meio da compra de imóveis de luxo, veículos, joias e aeronaves, frequentemente registrados em nome de terceiros para ocultação da titularidade real.
Famosos investigados
MC Ryan SP
Um dos artistas mais ouvidos do País pelo público jovem, acumula milhões de reproduções nas plataformas digitais e mais de 15 milhões de seguidores nas redes sociais.
Foi preso na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, litoral de São Paulo.
É apontado como líder da organização criminosa. Estaria usando produtoras para lavar dinheiro ilícito. Durante a operação, a PF apreendeu veículos de alto padrão, armas, joias e objetos de valor. Entre os itens está um colar com a imagem de Pablo Escobar.
O funkeiro já havia se envolvido em diversas polêmicas, incluindo episódios de agressão, danos ao patrimônio público e ostentação de carros de luxo.
MC Poze do Rodo
Outro nome conhecido do funk do Rio de Janeiro.
Criado no Complexo do Rodo, na Zona Oeste da capital fluminense, o cantor construiu carreira com músicas que retratam a vida nas periferias e a ascensão social.
Poze já vinha sendo alvo de investigações sobre a origem de bens exibidos nas redes sociais, como joias, carros de luxo e imóveis.
Na operação, foi vinculado a empresas que faziam circular recursos de rifas e apostas.
Chrys Dias
O influenciador soma mais de 14 milhões de seguidores e é apontado pela Polícia Federal como integrante do grupo investigado. Ele foi detido em Itupeva, interior paulista.
Ele ficou conhecido nas redes por ostentação, proximidade com artistas do funk — como MC Ryan SP — e pela promoção de rifas e sorteios online de bens de alto valor.
Na casa de Chrys Dias, em Itupeva, a polícia encontrou um carro rosa e uma réplica de um carro de Fórmula-1 parecido com o que o piloto Ayrton Senna pilotava.
Raphael Souza
Apontado como responsável pela página Choquei, uma das maiores páginas de entretenimento do País nas redes sociais.
Com mais de 27 milhões de seguidores, o perfil publica diariamente conteúdos sobre celebridades, reality shows e acontecimentos virais.
O mandado foi cumprido em Goiânia, dentro da mesma investigação. Entre as funções, ele seria responsável por “zelar” pela imagem dos envolvidos, recebendo altos valores.
Fonte: Pesquisa A Tribuna.
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