Selo de Indicação Geográfica: café e champanhe têm algo em comum
O selo, similar ao que consagrou a bebida francesa, foi obtido também pelo conilon produzido no Estado
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A busca por qualidade e diferenciação levou uma propriedade de Jaguaré, no Norte do Estado, a usar o selo de Indicação Geográfica do Café Conilon do Espírito Santo, reconhecimento concedido ao produto associado ao território capixaba.
A certificação indica a origem e a reputação do café, em lógica semelhante à de produtos tradicionais, cujo nome está vinculado à sua região de origem, como o champanhe, que só pode receber esse nome quando produzido na região francesa de Champagne.
Especialistas explicam que determinados produtos mantêm uma relação estreita com os produtores e com o território de origem, o que garante reconhecimento internacional.
Esse prestígio pode decorrer da tradição, do modo de produção ou das condições naturais que interferem na qualidade final.
No Brasil, o selo é concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). Em Jaguaré, a conquista coroa o trabalho do casal Fábio Nicolau de Souza e Valquíria Pagung, com apoio do Incaper, por meio do projeto Cafeicultura Sustentável.
“É um orgulho muito grande! Representa anos de dedicação na produção de um café de qualidade, dentro dos princípios de sustentabilidade em que acreditamos. É o café que consumimos e temos satisfação em oferecer a clientes e amigos”, afirma Fábio.
Segundo ele, entre as melhorias implantadas estão o aprimoramento do manejo do solo, ajustes na colheita e avanços no pós-colheita, etapa essencial para a produção de cafés de maior valor agregado.
“Investimos em mudanças que vão do manejo nutricional ao controle da fermentação, secagem e armazenamento, sempre com foco no equilíbrio entre sustentabilidade e qualidade”.
A propriedade passou por diagnóstico detalhado, que apontou os principais pontos de melhoria.
“Na primeira avaliação, identificamos quais indicadores de sustentabilidade precisavam avançar. A partir daí, elaboramos um plano de ação e acompanhamos a adoção das práticas ao longo do tempo”, explica a coordenadora do Incaper em Jaguaré, Ariele Altoé.
De acordo com o Incaper, o Brasil conta atualmente com mais de 100 produtos reconhecidos com Indicação Geográfica. No Espírito Santo, destacam-se o inhame São Bento de Urânia, de Alfredo Chaves, o socol de Venda Nova do Imigrante e o cacau em amêndoas de Linhares.
Saiba mais
O que é Indicação Geográfica (IG)
É um selo que identifica produtos ou serviços ligados a uma região específica
Reconhece que a qualidade, reputação ou características do produto têm relação direta com o local de origem
Valoriza fatores como clima, solo, saber fazer e tradição dos produtores
Quem concede
No Brasil, o registro é concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI)
Agrega valor ao produto e amplia a competitividade no mercado
Contribui para o desenvolvimento regional e a preservação de práticas culturais e produtivas
Fonte: Incaper.
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