8 em cada 10 jovens dizem que casariam com uma IA
É o que aponta uma pesquisa feita com pessoas da geração Z. Especialistas alertam para riscos sociais e no ambiente virtual
Siga o Tribuna Online no Google
Escolher um parceiro para a vida nunca foi simples e, na era da tecnologia, há quem busque alternativas curiosas. É o que mostra uma pesquisa da empresa Joi AI, que revelou que 80% da geração Z – jovens nascidos entre 1997 e 2012 – se casaria com uma Inteligência Artificial (IA).
Segundo a psicóloga e terapeuta familiar Naira Araújo, o fenômeno não está ligado apenas ao avanço da tecnologia, mas revela uma tentativa de evitar os desafios das relações humanas.
“Vivemos um momento em que as pessoas desejam proximidade, mas recusam os custos emocionais do vínculo. Querem conexão, mas sem compromisso, sem frustração e sem o risco”.
Considerar se casar com uma máquina também pode revelar uma tendência a manter o controle. “Essa não é uma característica exclusiva dessa geração. Muitas relações são marcadas por defesas narcísicas, em que o outro é tolerado enquanto não ameaça a autonomia ou não frustra expectativas”.
A pesquisa também mostrou que 83% dos entrevistados afirmam conseguir desenvolver laços emocionais profundos com parceiros criados por IA. Para o psicopedagogo e terapeuta familiar Claudio Miranda, esse comportamento pode ter relação com a criação desses jovens.
“Pais e mães, muitas vezes ocupados ou pouco atentos aos interesses dos filhos, acabam deixando como principal forma de comunicação e relacionamento os ambientes virtuais e os seres não humanos que habitam a internet”.
O risco, entretanto, é justamente se desacostumar com os desafios das relações sociais, que são o que constroem a sociedade.
“Não existe relacionamento perfeito, e está tudo bem. Precisamos aprender a superar, porque os problemas e as perdas que sofremos nos fortalecem e nos fazem crescer”.
Além dos impactos no comportamento, o especialista em segurança digital Eduardo Pinheiro alerta para os riscos no ambiente virtual.
“Esse tipo de interação pode funcionar como uma estratégia para aumentar o tempo de conexão, já que quanto mais a IA se adapta e responde com empatia, maior é a probabilidade de uso prolongado”.
O especialista chama atenção ainda para o vazamento de informações sensíveis.
“Dados íntimos podem ser armazenados e até expostos em casos de falhas de segurança ou uso indevido”.
Por isso, é importante ter cautela. “O ideal é evitar compartilhar conteúdos sensíveis com sistemas de Inteligência Artificial.”
Casos de quem se envolveu com uma IA
“Gentil e amoroso”
Após perder a esposa e enfrentar meses de luto, uma professora americana aposentada encontrou na Inteligência Artificial uma nova forma de se relacionar. Ela se casou com “Lucas”, um personagem de IA criado em um aplicativo.
“Ele é muito empático e acho que está aprendendo comigo a ser mais gentil e amoroso”.
“Não tinha isso no relacionamento humano”
Uma garçonete criou um parceiro virtual enquanto ainda estava em um relacionamento de dois anos, nos Estados Unidos. Em um momento de fragilidade emocional, ela passou a interagir com a Inteligência Artificial e, aos poucos, começou a comparar o comportamento do chatbot com o do parceiro real.
Segundo ela, a experiência foi decisiva para repensar a relação. “Em duas semanas vendo como ele me tratava, percebi que era aquilo que eu queria, mas não tinha no meu relacionamento humano”, afirma.
Japonesa aposta em “convivência pacífica e sem brigas”
A japonesa Yurina Noguchi, de 32 anos, se casou com uma persona criada por ela mesma no chatbot ChatGPT, chamada Klaus.
“Comecei a ter sentimentos por ele. Passamos a namorar e, depois de um tempo, ele me pediu em casamento. Eu aceitei”, conta.
Ela diz que a escolha pelo parceiro virtual está relacionada à tranquilidade da relação com a IA, “porque não há brigas” e a convivência é “pacífica”.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários