Petrobras quer aumentar produção de óleo no Espírito Santo
Estatal vai melhorar plataformas para que unidades durem até o dobro, permitindo a ampliação do volume produzido em 50%
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Realizar melhorias nos navios-plataformas em operação nos campos de Jubarte, no Sul do Espírito Santo, e Roncador, no Rio, para aumentar a durabilidade das estruturas é um dos planos da Petrobras no objetivo de conseguir ampliar em 50% a produção de barris de petróleo por dia nos próximos 5 anos.
Para isso, a empresa pretende intensificar as ações de manutenção e melhorias, estratégia que promete criar oportunidades para desenvolvimento das indústrias que atuam no setor metalmecânico.
As unidades em operação ficam cerca de 20 a 25 anos em atividade. A proposta é ampliar para 30, 40 ou até 50 anos. A FPSO Maria Quitéria e a P-57, alocadas em Jubarte, são algumas das que devem receber esse tipo de projeto de ampliação da vida útil, destacou a gerente de Planejamento e Gestão, Alice Bonatto de Castro.
“A gente precisa focar em confiabilidade e manutenção de integridade para estender a vida produtiva das nossas unidades o máximo possível e, assim, conseguir colocar mais óleo para produzir”, diz.
Até 2030, serão 75 poços interligados pela empresa nos campos de Jubarte (no Sul capixaba) e Roncador (em território fluminense), sendo 28 deles no Espírito Santo.
O anúncio foi feito durante o evento de apresentação do Plano de Negócios 2025-2030, promovido pela RedePetro ES ontem no edifício da Petrobras, em Vitória. O investimento vai injetar no mercado cerca de R$ 28 bilhões — ou R$ 30 bilhões, como anunciou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante evento em março.
O dinheiro também será aplicado no Estado em investimento nas atividades voltadas ao gás, estudos de projetos de descarbonização e no descomissionamento de navios-plataformas inativos — ou seja, a desmontagem deles.
No campo de Marlim Sul, no Norte da Bacia de Campos, nove plataformas estão paradas e aguardam a liberação de portos para recebê-los, destacou Alice Bonatto.
“Precisamos de capacidade portuária para tirá-las do alto-mar e levá-las para serem descomissionadas. Há ainda dezenas de unidades em outros campos”, diz.
Novos projetos também estão em planejamento pela empresa, revela Alice. Em fases iniciais, eles são voltados à criação de novas unidades nos campos em atividade.
Mas essas iniciativa ainda precisam ser sancionadas, ou seja, aprovadas pelo governo federal. “No horizonte de cinco anos, nós não temos prevista uma nova unidade para entrar em operação no Estado. Mas temos projetos em estudo”.
“Há negócios, mas faltam empresas preparadas”
Capacitação de prestadores de serviço é uma demanda da Petrobras para aumentar a contratação local, comenta o gerente de Construção e Montagem, David Maia.
No Espírito Santo, só a Imetame Metalmecânica presta serviços voltados à montagem e manutenção diretamente para a Petrobras, destaca Maia. As demais empresas são de fora do Estado, “principalmente do Rio. “Estamos falando da UTC (Óleo e Gás), da Mota-Engil, da Estrutural (Serviços Industriais) e também da Gran Services, do mesmo porte da Imetame”.
Segundo ele, é necessário que as empresas do setor metalmecânico no Estado se adequem mais aos requisitos que são exigidos pela Petrobras para participar das licitações e dos contratos firmados.
“São contratos muito fortes e grandes. Eu entendo que a gente tem um déficit. A gente tem poucas empresas concentrando esse tipo de serviço para a Petrobras. Isso é uma deficiência que a gente tem e temos buscado novos fornecedores”, afirma.
Saiba mais
Aumento da produção
A Petrobras pretende ampliar em 50% a produção diária de petróleo nos próximos cinco anos. A estratégia está baseada no ganho de eficiência operacional das unidades já em atividade.
O foco da companhia é intensificar ações de manutenção, integridade e confiabilidade. A ideia é extrair mais produção das estruturas existentes, evitando depender, no curto prazo, de novas plataformas.
Entre as principais medidas está a modernização de navios-plataforma em operação. Unidades como a FPSO Maria Quitéria e a P-57, em Jubarte, estão no radar.
A proposta é ampliar a vida útil dessas estruturas de 20 a 25 anos para até 50 anos. O movimento também deve gerar demanda para a indústria metalmecânica.
Investimentos e novos poços
Até 2030, a empresa prevê a interligação de 75 poços nos campos de Jubarte e Roncador. Desse total, 28 estarão localizados no Espírito Santo.
O volume de investimentos estimado varia entre R$ 28 bilhões e R$ 30 bilhões. Os recursos devem impulsionar diferentes segmentos da cadeia de óleo e gás.
Parte dos recursos será direcionada para projetos relacionados ao gás natural. A empresa também prevê estudos voltados à descarbonização das operações.
Outra frente é o descomissionamento de plataformas inativas. Nove unidades em Marlim Sul aguardam estrutura portuária para serem retiradas do mar.
Novas unidades
Novos projetos em fase inicial de planejamento também foram revelados pela Petrobras. No entanto, eles ainda dependem de aprovação do governo federal.
No cenário atual, não há previsão de novas plataformas entrando em operação no Espírito Santo nos próximos cinco anos, destacou a gerente de Planejamento e Gestão, Alice Bonatto de Castro.
Prestação de serviço
A qualificação de fornecedores é apontada como um dos principais entraves para ampliar a contratação local de prestadores de serviço do setor metalmecânico. O Estado ainda tem baixa presença em contratos mais complexos.
A estatal busca ampliar a participação de empresas capixabas e, para isso, considera essencial o fortalecimento técnico e operacional do setor.
Atualmente, apenas a Imetame Metalmecânica atua diretamente com montagem e manutenção para a Petrobras no Espírito Santo.
A maior parte dos serviços é executada por empresas de fora, principalmente do Rio de Janeiro. Entre elas estão UTC, Mota-Engil, Estrutural e Gran Services.
Segundo a companhia, há um déficit de empresas aptas a atender às exigências dos contratos, o que reduz a competitividade local. Os contratos são de grande porte e exigem alto nível técnico.
A empresa afirma que tem buscado novos fornecedores, mas ainda enfrenta limitações.
Fonte: Petrobras.
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