As 30 profissões com mais vagas e aumento de salário no ES
Estudo da Federação do Comércio do Estado aponta professores e engenheiros entre os destaques para os próximos oito anos
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Professores e engenheiros das áreas ambiental e da computação estão entre as 30 profissões que terão mais vagas e melhora em salários nos próximos oito anos, segundo estudo da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-ES).
Essas profissões são classificadas assim por conta do alto crescimento percentual na procura por esse tipo de profissional no Espírito Santo.
O número de empregos formais para engenheiros de computação, por exemplo, cresceu 2.467% entre 2016 e 2024, com salário médio de R$ 13.479, segundo o levantamento.
“A transformação digital, a automação e o avanço da inteligência artificial estão redesenhando o mercado de trabalho. A demanda por profissionais qualificados em tecnologia tende a crescer ainda mais nos próximos anos”, disse o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza.
A consultora de RH Luciana Roberty explica que a alta procura por esses profissionais se deve ao desenvolvimento tecnológico e pela preocupação das empresas com questões socioambientais.
“O que estamos vendo no Espírito Santo acompanha um movimento nacional e global: as empresas estão sendo pressionadas a evoluir ao mesmo tempo em três frentes — tecnologia, eficiência operacional e responsabilidade ambiental”.
No caso dos engenheiros ambientais, Luciana cita que a demanda cresce porque as empresas precisam atender exigências legais, reduzir impactos e estruturar práticas de ESG. Segundo a consultora, isso deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico de operação.
Por conta dessa demanda por profissionais dessas áreas, os cargos de professor de tecnologia e de meio ambiente também apresentaram alto crescimento no período: 1.979% e 6.413%, respectivamente.
Mas não são as únicas categorias de professores que têm apresentado crescimento expressivo: funções voltadas para alunos com deficiência múltipla (742%), deficiência mental (318%) e deficiência visual (288%) também estão cada vez mais demandadas.
Segundo a CEO da Center RH, Eliana Machado, cada vez mais surgem diagnósticos de crianças com diferentes tipos de deficiência ou necessidades específicas de aprendizagem.
“O que faz com que escolas públicas e particulares precisem cada vez mais de profissionais capacitados para acolher, ensinar e incluir esses alunos de forma adequada”, ressalta.
O Número
- 2.467% foi o quanto cresceu o número de empregos formais no Espírito Santo para profissionais da Engenharia da Computação.
Tecnologia
Teoria e prática
O constante crescimento da tecnologia na sociedade motivou os estudantes Redellen Yuri Neris Santos e Maria Clara Moreira Pagio a ingressarem no curso de Engenharia de Computação da Faesa.
O professor Rafael Polielo Guimarães afirma que a crescente procura por professores na área é reflexo direto da expansão acelerada do setor tecnológico e a necessidade cada vez maior de formação qualificada.
Ele destaca a importância dos professores com experiência profissional no mercado, pois esses conseguem conectar a teoria à prática.
“O professor não pode apenas transmitir o conhecimento. Ele deve também formar profissionais preparados para as exigências de um mercado dinâmico e em constante evolução”.
Preparação
Sociedade mais inclusiva
Após trabalhar 6 anos na indústria como técnico em Eletrotécnica, Daniel Coimbra decidiu cursar Engenharia da Computação na UVV.
Já a aluna de pedagogia Michely Caldas deseja atuar com educação especial para contribuir com uma sociedade mais inclusiva.
Denis Rodrigues, coordenador de Engenharia Ambiental da UVV, diz que o cenário de demanda alta por professores da área precisa ser acompanhado por docentes que tenham experiência prática.
Já a coordenadora de Pedagogia da UVV, Eliane Pimentel, destaca que esses docentes precisam de preparo adequado quanto à didática.
Presença ampliada
Busca maior por professores
O aumento na busca por professores no Espírito Santo reflete uma valorização na educação dentro da sociedade, segundo a coordenadora do curso de Pedagogia da Multivix Vitória, Luana Bastos do Nascimento Rosa. “Foi um movimento que se intensificou a partir do pós-pandemia. Esse profissional hoje está presente não só nas escolas, mas também em hospitais e projetos sociais”, conta.
O total de contratações de profissionias para educação infantil cresceu 56% para crianças de 0 a 3 anos e 178% para crianças de 4 a 6 anos. A estudante de pedagogia da Multivix Patrícia Martins da Costa quer fazer parte desse crescimento. “Quero ajudar no desenvolvimento das crianças e fazer a diferença na vida dos alunos”.
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