SegurPro contesta condenação por racismo no RioMar e anuncia recurso
Empresa de segurança se diz surpreendida por sentença que fixou indenização para irmãos barrados
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A empresa de segurança SegurPro anunciou, nesta segunda-feira (6), que pretende recorrer da sentença que a condenou, junto ao Shopping RioMar, por abordagem discriminatória contra dois irmãos em dezembro de 2023.
Em nota, a firma declarou que recebeu a decisão judicial com surpresa. “A Segurpro informa que acompanhou o andamento do inquérito na época do ocorrido, o qual foi arquivado diante da conclusão de que não houve crime de racismo”, diz um trecho da nota Por essa razão, a empresa foi surpreendida pela decisão judicial e apresentará recurso”, acrescentou.
A condenação de primeira instância estabeleceu o pagamento de R$ 10 mil para cada uma das vítimas, mas o desfecho jurídico do caso permanece incerto, já que ambos os lados manifestaram insatisfação com o veredito.
“A Segurpro reforça que seus colaboradores são capacitados, passam por treinamentos operacionais, táticos e comportamentais. A empresa reitera que não compactua com o uso de violência e que exerce suas atividades no setor da segurança pautada por uma rigorosa Política de Direitos Humanos e em princípios éticos, aplicados por meio de seu Código de Conduta”, completa a empresa.
O bloqueio na escada rolante
O episódio ocorreu na Zona Sul do Recife. Mayck Raphael Santos, hoje com 19 anos, e o irmão caçula tentavam acessar as lojas do centro de compras para trocar uma mercadoria. O relógio marcava 21h30 quando um segurança posicionou o corpo à frente dos jovens na escada rolante do térreo.
“Ele disse: ‘vai subir não, boy’. Eu achei que estava fechando. Mas logo veio uma senhora, ele deu boa noite e saiu da frente para ela subir”, relembra Mayck, que tinha 17 anos, na época.
O rapaz conta que, após ele e seu irmão serem barrados, o fluxo de clientes seguiu normalmente enquanto os dois permaneciam retidos pelo funcionário.
Vítimas buscam majoração do valor
Do outro lado da disputa, a defesa dos irmãos também prepara recurso. O advogado Kleber Freire classifica o montante de R$ 10 mil como "irrisório". Para a defesa, a quantia não cumpre o papel pedagógico necessário para desestimular práticas de racismo estrutural em grandes estabelecimentos. O objetivo agora é levar o caso às instâncias superiores para ampliar o valor da reparação por danos morais.
Posicionamento do centro de compras
O Shopping RioMar, também condenado no processo, afirmou que colaborou com as autoridades desde o início das investigações em 2023. O centro de compras optou por não comentar o mérito da decisão judicial. O processo segue em tramitação e ainda não há data para o novo julgamento.
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