Pesquisa revela que 40% dos brasileiros se sentem sozinhos
Pesquisa revela que a solidão atinge quatro a cada 10 pessoas e está associada a cerca de 100 mortes por hora
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Em suas redes sociais, quantos amigos você tem? Talvez o número ultrapasse os 500. Mas, fora das telas, essa conexão existe?
Uma pesquisa revela que quatro a cada 10 brasileiros se sentem sozinhos. O levantamento feito pelo Family Talks, em parceria com a consultoria Market Analysis, aponta que a solidão atinge mais as mulheres (46,2%) do que os homens (35,3%), com diferença de quase 11 pontos percentuais.
Para o diretor da Market Analysis, Fabián Echegaray, a solidão é resultado de transformações profundas e cumulativas: “A desestruturação da família estendida, a mobilidade geográfica, o aumento do custo de vida e a queda do capital social fragilizaram as redes de apoio”.
Investigação da Organização Mundial da Saúde (OMS), de junho do ano passado, demonstrou que uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão, com impactos significativos na saúde e no bem-estar.
A solidão está associada a cerca de 100 mortes a cada hora – mais de 871 mil mortes por ano. Já conexões sociais fortes podem levar a uma melhor saúde e a uma vida mais longa.
Na avaliação da psiquiatra e presidente da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo (Apes), Lícia Colodete, a solidão tem relação com o mundo atual, em que são valorizados o desempenho, a eficiência e o individualismo.
Lícia explica ainda que a solidão não é falta de gente, mas de vínculo profundo com as pessoas. “Há uma velocidade que desfavorece a construção de vínculos mais profundos, porque toda profundidade demanda um tempo”.
O doutor em Psicologia Elizeu Borloti, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e professor titular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), destaca que há mais percepção da solidão porque ela ganhou nome, linguagem pública e legitimidade como tema de saúde.
“A OMS e outras instituições vêm tratando conexão social, isolamento e solidão como questão relevante de saúde pública. A solidão está mais nomeada, mas também há bons indícios de que ela esteja mais produzida socialmente”.
Razões
Ele pontua que existem razões para supor aumento real: “Fragilização de redes comunitárias, vida urbana mais segmentada, trabalho mais instável, rotinas mais individualizadas, digitalização das relações e menos espaços de convivência espontânea”.
“O próprio levantamento da Family Talks aponta que 61,1% atribuem a solidão principalmente a fatores externos, e não a falhas individuais”.
Estratégia
Há seis anos, a mentora comercial Juliana Perez, de 36 anos, que é do Rio Grande do Sul, mora no Espírito Santo, longe da família. Mas há 11 anos, Juliana já mora sozinha.
Ela também trabalha de home office e adota algumas estratégias para não se sentir solitária, como manter contato com os amigos, manter uma rotina de atividade física, passeios ao ar livre e momentos tomando um café especial, por exemplo.
“Busco sempre incluir na minha rotina atividades que gosto, que me fazem bem e feliz, como ir à praia, passeios ao ar livre e aprender um esporte ou hobby novo”.
Pesquisa
Quatro a cada 10 brasileiros se sentem sozinhos. É o que revela uma pesquisa exclusiva realizada pelo Family Talks em parceria com a consultoria Market Analysis, com base em entrevistas com mais de mil pessoas em todo o País.
Solidão entre gêneros
Mulheres: 46,2%
Homens: 35,3%
Solidão entre classe social
45,6% Classe C2/DE
24,7% CLASSE A
Solidão e parentalidade
45,9% sem filhos
36,4% com filhos
Solidão por faixa etária
Jovens de 18 a 34 são tão solitários quanto adultos de 35 a 44.
A queda só aparece após os 45 anos. Sem o padrão esperado de solidão na terceira idade.
IDADE - SOLITÁRIOS - NÃO SOLITÁRIOS
18 - 24 - 45% - 55%
24-34 - 46,7% - 53,3%
35-44 - 46,1% - 53,9%
45-54 - 35,9% - 64,1%
55-64 - 37,6% - 62,4%
65+ - 30,2% - 69,8%
Frequência da solidão
Mulheres - 46,2%
18-44: 51%
65+: 42,4%
Homens - 35,3%
18–44: 40%
65+: 22,9%
A brecha de gênero é maior entre os mais jovens e persiste na velhice.
Converge apenas em 55–64, onde ambos os sexos chegam a cerca de 37–38%
Conectividade
Quanto maior for o estresse com as redes sociais, maior a solidão.
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