Jovens têm se sentido mais sozinhos do que os idosos
Rotinas mais estáveis e vínculos presenciais ajudam idosos a driblar a solidão, dizem especialistas
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A saída do mercado de trabalho devido à aposentadoria, filhos casando e até mesmo, em alguns casos, o luto, estão entre os motivos que podem deixar os idosos mais solitários.
Porém, pesquisas revelam que os mais jovens têm se sentido mais sozinhos do que os idosos. Na pesquisa realizada pelo Family Talks em parceria com a consultoria Market Analysis, os jovens de 18 a 34 são tão solitários quanto adultos de 35 a 44, com percentual de 45% e 46,1%, respectivamente.
Na análise do doutor em Psicologia Elizeu Borloti, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e professor titular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), muitos idosos, embora tenham perdas e menos circulação social, ainda contam com repertórios mais estáveis de amizade, vizinhança, família, religiosidade ou rotina comunitária.
“Já muitos jovens vivem mais conexão instantânea, mas menos relação confiável”.
A psicóloga Déborah Ramos, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e com formação Gerontologia e Psico-Oncologia, percebe que, ao lidar com os idosos, eles tendem a manter vínculos e rotinas mais tradicionais, seja se encontrando pessoalmente ou em grupos de convivência.
“Eles prezam mais pelo contato físico presencial, se blindando mais da solidão, sendo que as gerações mais jovens tendem a fugir de atividades sociais, preferindo o home office e a chamada de vídeo pelo WhatsApp”.
A psiquiatra e presidente da Associação Psiquiátrica do Espírito (Apes), Lícia Colodete, diz que nos idosos, a solidão está associada a alguns fatores como a saída do mercado de trabalho, a redução da capacidade produtiva e financeira, as limitações físicas, que podem surgir com o avançar da idade, e a diminuição de mobilidade.
“Tudo isso restringe a possibilidade de manter e estabelecer trocas e relacionamentos. É uma situação dramática e a sociedade ainda não sabe como lidar”.
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