Paixão de Cristo de Nova Jerusalém ganha mais simbolismo neste Domingo de Ramos
Espetáculo no Agreste reproduz, no maior teatro ao ar livre do mundo, a vida, a morte e a ressurreição de Cristo
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Sob o céu do Agreste pernambucano, fé e paixão se encontram em Nova Jerusalém. A estrada corta o semiárido entre serras, pedras e silêncio. No caminho até o município de Brejo da Madre de Deus, a paisagem castigada pelo sol prepara o olhar. Mas é ao atravessar as muralhas de pedra que a cena muda: ali, fé e teatro se confundem.
A 57ª edição do Espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, encenada no maior teatro a céu aberto do mundo, começou neste último sábado (28). Mas é a partir deste Domingo de Ramos (28), quando a narrativa cristã recorda a entrada de Jesus em Jerusalém, que tudo ganha ainda mais sentido — dentro e fora do palco.
A cidade-teatro, erguida em uma área de 100 mil metros quadrados, recria a Jerusalém dos tempos bíblicos com arruados, jardins e grandes pátios. São nove palcos-plateia distribuídos por cenários como o Templo, o Fórum Romano, o Palácio de Herodes, a Via Sacra e o Monte do Calvário.
Ao redor, uma muralha de quatro metros de altura, com 70 torres, delimita o espaço onde a história se repete ano após ano. É de emocionar!
Desde 1968, cerca de 60 mil pessoas passam pelo cenário durante a Semana Santa para assistir às encenações, que reúnem 450 atores e figurantes, além de centenas de profissionais. A estimativa de público deste ano é de 250 mil pessoas até o próximo domingo.
A cada noite, a cidade se ilumina para contar, em aproximadamente três horas, a trajetória de Jesus — da acolhida festiva à crucificação, até o anúncio da Ressurreição.
Cem anos de um sonho
A temporada de 2026 marca o centenário de nascimento de Plínio Pacheco, visionário e idealizador da cidade-teatro. O espetáculo, que atravessou gerações, carrega também a responsabilidade de manter viva a grandiosidade pensada por ele.
Neste ano, a montagem aposta em novos recursos tecnológicos para ampliar a experiência do público. Um dos momentos mais bonitos está reservado para o último ato, quando Jesus sobe aos céus.
Um papel que ultrapassa o palco
Escalado para viver Jesus, o ator Dudu Azevedo retorna a um personagem que já marcou sua trajetória. Para ele, a experiência ultrapassa o exercício artístico.
"Eu sinto que tenho um chamado para essa história, não vejo como algo aleatório. Existe uma ligação forte e uma responsabilidade que eu assumi quando fiz a primeira vez e que se renova agora”, afirma.
Ele também destaca a dimensão do espetáculo. “Fazer parte de um trabalho dessa magnitude é uma iluminação, um presente que vai além da aleatoriedade”, diz.
Sem recorrer a fórmulas prontas, o ator afirma que busca construir uma interpretação conectada à proposta da direção e à escala da encenação. “O compromisso é entregar o melhor trabalho possível, com responsabilidade e entendimento da seriedade dessa história, que impacta e transforma a vida das pessoas.”
Maria entre a arte e a devoção
No papel de Maria, Beth Goulart define a experiência como espiritual.
"Um chamado de amor."
A atriz une referências pessoais para compor a personagem e destaca a dimensão sensorial da encenação. “Ter o céu como testemunha, sentir a energia da terra e das estrelas ao nosso lado, torna tudo um momento único de comunhão com a espiritualidade.”
Personagens e contradições
Já Marcelo Serrado retorna à cidade-teatro décadas depois de sua primeira participação. Desta vez, assume o papel de Pilatos, figura central em um dos momentos mais decisivos da narrativa.
"Tenho um carinho enorme por este lugar e pelas pessoas. Estar aqui no centenário de Plínio Pacheco torna tudo ainda mais especial", revela.
O ator destaca o desafio de interpretar um personagem marcado por dilemas. E também a grandiosidade da cena: "Imagina entrar em cena numa biga com cavalos e centenas de figurantes... É algo inusitado e incrível!".
O elenco conta ainda com nomes como Carlo Porto, no papel de Herodes."Quanto mais certo der o vilão, mais Jesus aparece." , destaca
Um cenário que começa fora do palco
Localizado a cerca de 200 quilômetros do Recife, o município de Brejo da Madre de Deus reúne história, religiosidade e paisagem. O nome carrega duas origens: o “brejo” formado entre serras e a referência ao antigo hospício fundado por religiosos às margens do riacho Madre de Deus.
De clima semiárido e relevo marcado por formações rochosas, o território se tornou cenário natural para produções audiovisuais e atrai visitantes também pelo artesanato, pelas festas religiosas e pelos sítios históricos.
Mas é durante a Semana Santa que a cidade ganha outro ritmo. Entre muralhas, figurinos e luzes, a encenação transforma o Agreste em palco. E, por algumas horas, a distância entre o humano e o divino desaparece.
📌 Serviço | Paixão de Cristo de Nova Jerusalém 2026
📍 Local: Fazenda Nova, em Brejo da Madre de Deus
📅 Período: de 28 de março a 4 de abril
🕕 Horário do espetáculo: início às 18h
🕓 Abertura dos portões: 16h
🕗 Bilheterias: das 8h às 19h
🎟️ Ingressos
Média de preços:
Inteira: entre R$ 180 e R$ 220
Meia: entre R$ 90 e R$ 110
📲 Venda online: até 12h do dia do espetáculo
🎫 Também disponíveis nas bilheterias e pontos credenciados
⏱️ Duração e dinâmica
Duração média: cerca de 3 horas
Apenas uma apresentação por noite
Público acompanha as cenas caminhando entre os cenários
⚠️ Orientações ao público
Não é permitida entrada com alimentos e bebidas
Não é permitido uso de flash ou drones
Não é permitido entrar com cadeiras ou bancos
Após sair, não é possível retornar sem novo ingresso
♿ Acessibilidade e dicas
Dias com menor público: segunda, terça e quarta
Há cadeiras de rodas disponíveis no local
Recomenda-se chegar cedo para aproveitar a estrutura
🚐 Transporte
Não há linhas regulares diretas do Recife.
O acesso costuma ser feito por carro ou excursões/fretados.
📍 Sobre o espetáculo
A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém é considerada uma das maiores encenações ao ar livre do mundo, realizada em uma cidade-teatro com cenários que reproduzem a Jerusalém da época de Jesus.
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