Polícia Civil do ES apura denúncia de tráfico envolvendo policiais
Acesso a depoimento de delegado foi solicitado ao Ministério Público; entenda o caso
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A Polícia Civil do Espírito Santo determinou a apuração de informações de que um delegado teria relatado, em depoimento no âmbito da operação Turquia, o envolvimento de policiais civis no tráfico de drogas.
Segundo o relato do delegado, um policial seria “o maior traficante de drogas do Espírito Santo”. As informações foram apresentadas ao delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, José Darcy Arruda, durante uma entrevista a um programa de TV, na sexta-feira (28).
A Polícia Civil informou que cabe ressaltar que a operação em questão, realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Espírito Santo (Ficco/ES) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público (Gaeco/MPES), contou com apoio da Corregedoria da Polícia Civil do Estado no cumprimento dos mandados de prisão dos envolvidos.
“Diante da gravidade das informações apresentadas, a chefia da Polícia Civil do Espírito Santo determinou, de forma imediata, a adoção de providências para o completo esclarecimento dos fatos. Foi oficialmente solicitado ao MPES o acesso integral ao depoimento do delegado citado”, informou nota compartilhada nas redes sociais pela Polícia Civil e pelo delegado-geral.
Em paralelo, segundo a nota, foi determinado à Corregedoria Geral da Polícia Civil a apuração das providências adotadas pelo referido delegado ao tomar conhecimento de que o policial investigado seria, segundo seu próprio relato, “o maior traficante de drogas do Espírito Santo”.
A Polícia Civil reforçou que qualquer cidadão que possua informações sobre práticas criminosas envolvendo os investigados pode contribuir com as apurações por meio do Disque-Denúncia 181, com garantia de sigilo absoluto.
“A Polícia Civil do Espírito Santo reafirma seu compromisso com a legalidade e a integridade institucional, não compactuando com qualquer conduta ilícita, e mantém sua Corregedoria permanentemente à disposição da população para apurar eventuais desvios de conduta”, destacou o texto.
Operação Turquia
Ao todo, dois policiais civis foram presos em duas fases da Operação Turquia. Na primeira fase, em novembro do ano passado, três policiais do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc) do Espírito Santo foram afastados de suas funções pela Justiça e um deles foi preso.
Na segunda fase, neste mês, um desses policiais afastados em novembro foi preso.
O objetivo da Operação Turquia, segundo o MPES é apurar a atuação de um grupo criminoso que operava de forma estável e organizada, com divisão de tarefas e obtenção de vantagens ilícitas.
Segundo as investigações do Gaeco/MPES, o grupo atuava a partir de uma cooperação ilícita entre agentes públicos e integrantes de facção criminosa, especialmente durante diligências policiais.
Na prática, segundo as investigações, as operações eram direcionadas com base em informações repassadas por integrantes do tráfico.
Durante as ações, parte das drogas, valores e outros materiais apreendidos deixava de ser registrada oficialmente e era desviada, sendo posteriormente reinserida no mercado ilegal para gerar lucro aos envolvidos, segundo o MPES.
As apurações também apontam o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos para omissão de atos de ofício, vazamento de informações e favorecimento direto às atividades do tráfico.
“O esquema utilizava a estrutura estatal para dar aparência de legalidade às ações, dificultando a identificação das irregularidades”, informou o MPES.
O Ministério Público denunciou os réus pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, peculato, corrupção passiva e corrupção ativa, todos praticados de forma estruturada e reiterada.
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