Casos de bullying aumentam e afetam mais as meninas
Aparência do rosto, corpo e cabelo é o principal motivo das humilhações. Ataques aumentaram nas escolas e redes sociais
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Entre provocações na escola e ataques que se estendem pelas redes sociais, o bullying tem se intensificado na rotina de adolescentes capixabas – e atinge mais as meninas.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que o percentual de adolescentes entre 13 e 17 anos que tinham sido “zoados”, intimidados ou humilhados por colegas passou de 23,3%, em 2019, para 29,2% em 2024. Entre as meninas, o percentual sobe para 32,2%.
Entre os motivos principais para as provocações estão a aparência do rosto ou do cabelo (31,2%) e a aparência do corpo (29,4%).
Os casos de cyberbullying – que ocorre por meios digitais como redes sociais, aplicativos de mensagens, fóruns e jogos online – também aumentaram nos últimos cinco anos: passaram de 12,1% em 2019 para 13% em 2024.
A chefe da Seção de Disseminação de Informações do IBGE no Espírito Santo, Renata Coutinho, explicou que os casos envolvem agressões repetidas, podendo incluir insultos, difamação, exclusão, divulgação de imagens ou mensagens ofensivas, caracterizando-se pela intimidação sistemática virtual e pelo impacto emocional nas vítimas.
“A pesquisa aponta não só uma diferença entre gêneros, com as meninas mais impactadas pelo bullying nas redes sociais, mas também a diferença entre redes de ensino. Entre os alunos da rede pública, 13,5% declararam sofrer bullying on-line. Já entre os alunos da rede privada, foram 9%.”
A advogada especialista em Direito de Família e Previdenciário Mariana de Sá Chagas destacou a preocupação com o impacto real do bullying, especialmente nas meninas, que são a maioria das vítimas.
“Isso afeta diretamente a saúde mental. Está ligado a sentimentos de tristeza, solidão e baixa autoestima. Quanto mais frequente, maior o dano emocional.”
No caso do cyberbullying, ela enfatizou que a legislação hoje reconhece a gravidade e o trata como crime.
“Mas antes da punição, existe algo ainda mais importante: consciência. Nenhuma lei consegue reparar totalmente o impacto de uma humilhação pública, de um ataque repetido ou da exclusão social no ambiente digital. Vivemos em uma geração conectada, onde uma mensagem pode alcançar centenas de pessoas em segundos. Por isso, cada atitude online precisa ser pensada com mais cuidado do que nunca.”
O que eles dizem
Saúde mental
“Cyberbullying é uma forma de violência que ocorre por meios digitais – como redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online. A associação do cyberbullying com piora na saúde mental, isolamento e risco de comportamentos autodestrutivos tem impactado no ambiente escolar, com evasão e dificuldade de concentração.”
Impacto
“O bullying e o cyberbullying causam um impacto significativo entre adolescentes. Quem sofre bullying em ambiente escolar, geralmente, se sente excluído e não tem espaço e abertura para socializar. Isso causa dificuldades para esse adolescente verbalizar o que está acontecendo em casa, na escola ou para algum adulto de confiança.”
Crime
“É preciso lembrar que a Lei nº 14.811/2024 passou a criminalizar o bullying e o cyberbullying. O crime de intimidação sistemática (bullying) é punido com multa e a intimidação sistemática virtual (cyberbullying) com pena de 2 a 4 anos de reclusão. Além disso, o “ECA Digital” trouxe dispositivos para reforçar a segurança de crianças e adolescentes na internet.”
Saiba Mais
PeNSE
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar reúne informações relacionadas à saúde e ao bem-estar de estudantes entre 13 e 17 anos.
O levantamento é realizado pelo IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde e com a colaboração do Ministério da Educação (MEC), usando metodologia baseada em questionários eletrônicos.
A PeNSE é realizada desde 2009 e teve os resultados de 2024 divulgados esta semana.
Alguns resultados
Estudantes de 13 a 17 anos que sofreram bullying no Espírito Santo
- 2019 - 23,3%
- 2024 - 29,2%
Estudantes que dizem ter sofrido bullying - por sexo
- Meninas -32,2%
- Meninos - 26,3%
Motivos para o bullying sofrido
- 1º - Aparência do rosto ou do cabelo - 31,2%
- 2º - Aparência do corpo - 29,4%
- 3º - Cor ou raça - 12,3%
- 4º - Roupas, sapatos, mochila ou material escolar usado pelos estudantes - 10,5%
- 5º - Sotaque ou jeito de falar - 9,3%
- 6º - Identidade de gênero ou orientação sexual - 8,7%
- 7º - Religião - 7,2%
- 8º - Deficiência - 3,4%
Cyberbullying
- 13% dos estudantes de 13 a 17 anos dizem ter sofrido humilhações de forma recorrente no ambiente virtual.
- 12,1% disseram ter sofrido com cyberbullying em 2019.
- 16,2% das meninas afirmam sofrer cyberbullying
- 9,8% dos meninos dizem sofrer cyberbullying.
Sentimento em relação ao próprio corpo
- Declararam estar “muito satisfeitos” ou “satisfeitos” com a própria imagem corporal - 58,1%
- Disseram estar “muito insatisfeitos” ou “insatisfeitos” - 28,6%
- Alegaram “indiferença” - 12,9%
Satisfação com o corpo
- 66,8% dos estudantes declararam satisfação com a imagem corporal em 2019.
- 58,1% declararam a satisfação em 2024.
- 8,7 pontos percentuais (p.p.) foi a redução da satisfação em comparação à pesquisa em cinco anos.
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