Como agiam guardas e advogados presos durante operação contra facção no ES
Investigação apontou que suspeitos estavam repassando informações sigilosas e drogas. Operação cumpriu oito mandados de prisão
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Três guardas municipais de Vila Velha e três advogados foram presos esta semana em uma operação para desarticular uma facção criminosa com atuação no município.
A investigação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) apontou que os suspeitos teriam colaborado com o grupo, repassando informações sigilosas e intermediando ordens de dentro de presídios.
A terceira fase da Operação Telic cumpriu, ao todo, oito mandados de prisão temporária e nove mandados de busca e apreensão nos municípios de Vila Velha, Cariacica e Serra.
A investigação, que tramita em sigilo, foi instaurada para identificar as ações criminosas de integrantes do Primeiro Comando de Vitória (PCV), que atuam na região da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha.
O trabalho identificou evidências de vínculos entre investigados, advogados e guardas municipais.
No caso dos guardas, além do repasse de informações sigilosas sobre operações a membros da facção, também foi apurado que alguns ainda comercializavam drogas desviadas de apreensões ou se apropriavam de dinheiro e materiais sob custódia.
Já os advogados são investigados por transmissão de mensagens ilícitas entre membros da facção presos e criminosos em liberdade, por meio de bilhetes – conhecidos popularmente como “catuques” – levados durante visitas aos presos.
Durante a operação, foram apreendidos celulares e bilhetes manuscritos ou ditados por detentos e redigidos por advogados.
As ações contaram com a participação de policiais militares e de policiais penais, que atuaram nas buscas, apreensões, prisões e conduções dos investigados.
Segundo o MPES, as investigações ocorrem em sigilo, por isso os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
A Guarda Municipal de Vila Velha informou que a Corregedoria está acompanhando o caso e irá colaborar no que for necessário.
A Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil seccional capixaba (OAB-ES) também reafirmou seu compromisso com a ética, a legalidade e o zelo pela atuação responsável dos advogados e advogadas capixabas.
Entenda o caso
Operação Telic III
O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na última quarta-feira a terceira fase da Operação Telic.
A operação – que contou com apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES, da Polícia Militar do Espírito Santo e da Secretaria de Justiça – tem como objetivo identificar as ações criminosas de integrantes do Primeiro Comando de Vitória (PCV) que atuam na região da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha.
Alvos da operação
A operação cumpriu ao todo oito mandados de prisão temporária e nove mandados de busca e apreensão nos municípios de Vila Velha, Cariacica e Serra.
Entre os alvos estão três advogados, três guardas municipais de Vila Velha, além de outros investigados, apontados como traficantes.
Os nomes dos alvos da operação não estão sendo divulgados, uma vez que a investigação tramita em sigilo.
Como agiam
As apurações produziram provas de tráfico de drogas, formação de organização criminosa, aquisição e porte ilegal de armamentos e munições, além de outras práticas violentas.
A operação teve como alvo três núcleos:
Advogados
A investigação revelou que a liderança do grupo emitia ordens de dentro das unidades prisionais por meio de mensagens repassadas por familiares e advogados – em bilhetes conhecidos como “catuques”.
Essas ordens eram cumpridas pelos integrantes da facção que estavam em liberdade, cada qual com função definida na estrutura da organização.
Guardas municipais
informações obtidas pela reportagem apontam que guardas – incluindo aqueles que já exerceram funções de chefia – violavam sigilo funcional, avisando traficantes sobre operações policiais na região de Terra Vermelha.
Traficantes
Além disso, traficantes que atuavam como “informantes” avisavam aos integrantes da Guarda sobre locais onde drogas estavam armazenadas – tanto da própria facção quanto de grupos rivais.
A Guarda fazia operações para apreender drogas e dinheiro, mas parte era revertida para os traficantes informantes.
O que dizem
A Prefeitura de Vila Velha informou que três agentes da Guarda Municipal foram alvos da operação. “A Corregedoria da Guarda está acompanhando o caso e irá colaborar no que for necessário.”
Já a Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Espírito Santo (OAB-ES) informou que acompanhou o caso, como faz rotineiramente em todas as situações que envolvem advogados, com o objetivo de assegurar o pleno respeito às prerrogativas da advocacia e à preservação do Estado Democrático de Direito.
“Como o processo corre em sigilo, não é possível divulgar informações sobre o caso. A Ordem reafirma seu compromisso com a ética, a legalidade e o zelo pela atuação responsável dos advogados e advogadas capixabas”, disse por nota.
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