Risco para a saúde: uso de cigarro eletrônico dispara entre adolescentes
Pesquisa do IBGE revela que percentual de jovens usuários de cigarro eletrônico saltou de 18,4% para 27,1% no Espírito Santo
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O que médicos falam frequentemente está comprovado: o número de adolescentes usando cigarro eletrônico (vape) no Brasil aumentou. O percentual quase que dobrou, segundo informações da 5ª edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2024 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2019, esse percentual era de 16,8% e saltou para 29,6%, representando 4,3 milhões de adolescentes – cálculo feito com base nas Projeções de População do IBGE daquele ano.
No Espírito Santo, a porcentagem de adolescentes que já usaram vape passou de 18,4% – 53 mil em 2019 – para 27,1% em 2024, aproximadamente 73 mil.
Renata Coutinho Nunes, chefe da Seção de Disseminação de Informações do IBGE Espírito Santo, destacou que Vitória apresentou percentual de 27,2%. “Em 2019, na capital, o índice (24,2%) era mais alto do que no Estado, uma realidade dos grandes centros, que depois vai atingindo todo o Estado.”
Para a pneumologista e médica do sono Roberta Couto, o aumento do uso de vape entre adolescentes pode ser motivado pelo fato de que o dispositivo não é visto como um cigarro pelos jovens.
“Ele vem com outra estética, um design bonito, sabor doce, cheiro agradável, além de não possuir o estigma social que foi criado no cigarro branco ao longo dos anos. Isso reduz a sensação de risco. Os adolescentes não se consideram fumantes. Há também um marketing, já que esses dispositivos circulam nas redes sociais, associados a um estilo de vida mais moderno.”
O cardiologista Diogo Barreto ressaltou que há estudos mais recentes mostrando que o vape provoca inflamações pulmonares piores que o cigarro comum.
“Não tem efeito cumulativo de grandes décadas ainda, porque é uma tecnologia nova, mas os estudos que já temos mostram que ele consegue ser pior que o cigarro. E como não é padronizado pela Anvisa, o malefício é ainda pior, já que não sabemos o que tem dentro.”
A psicóloga infantojuvenil Paula Santos explicou que os adolescentes estão mais propensos a experimentar vape, álcool e drogas por terem o cérebro em desenvolvimento. “Ele termina de se formar por volta dos 25 anos. As áreas do cérebro responsáveis pelo controle de impulso ainda são imaturas e isso faz com que eles tenham mais dificuldade de tomar decisões mais assertivas.”
Uso de vape no Brasil
Pelas Projeções da População do Brasil do IBGE, em 2019 esse número representava 2,6 milhões e, em 2024, 4,3 milhões de adolescentes.
Essa experimentação é mais frequente entre as meninas (31,7%) do que entre os meninos (27,4%) e entre os estudantes da rede pública (30,4%) do que entre os da rede privada (24,9%).
Esse crescimento se deu de forma generalizada em todas as grandes regiões do País, permanecendo as Regiões Centro-Oeste (42%) e Sul (38,3%), com os maiores percentuais e as Regiões Nordeste (22,5%) e Norte (21,5%) com os menores.
A experimentação do cigarro eletrônico (vape) entre adolescentes de 13 a 17 anos foi de 29,6% em 2024, enquanto em 2019 foi de 16,8%.
Uso de vape no Espírito Santo
No Espírito Santo em 2019 o percentual de adolescentes de 13 a 17 anos que alguma vez na vida experimentou cigarro eletrônico era de 18,4% (53 mil), segundo as Projeções do IBGE daquele ano.
Em 2024, esse percentual saltou para 27,1% (73 mil adolescentes), segundo as Projeções do IBGE daquele ano.
Em vitória, o percentual foi de 27,2% em 2024 enquanto em 2019 era de 24,2%.
Outras drogas
O número de adolescentes brasileiros que afirmam já ter experimentado drogas ilícitas alguma vez, por exemplo, caiu de 13% em 2019 para 8,3% em 2024. Nas capitais, os dados mostram variações expressivas. Florianópolis lidera o ranking, com 15,6% dos adolescentes que já experimentaram drogas ilícitas, seguida por Vitória (12,3%) e Brasília (12,2%).
Bebidas e cigarro
Houve redução do uso de álcool entre adolescentes: 63,3% dos entrevistados afirmaram já ter bebido em 2019, contra 53,6% em 2024. Já o consumo de cigarro diminuiu de 22,6% para 18,5%.
No Espírito Santo, 53,9% (índice maior que a média nacional) já experimentaram bebida alcoólica alguma vez em 2024, contra 65,6% em 2019.
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