Em casa, jovem esfaqueada em Barreiros faz fisioterapia para recuperar movimentos
Vítima de 14 anos deixou o HR há uma semana e médicos ainda investigam o que causou a perda dos movimentos nas pernas
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A adolescente de 14 anos que sofreu o ferimento mais grave no ataque à Escola Estadual Cristiano Barbosa e Silva, em Barreiros, completa hoje uma semana de recuperação em casa. A jovem, atingida por quatro facadas, deixou o Hospital da Restauração (HR), no Recife, em uma cadeira de rodas no último dia 20. Não conseguia andar.
A rotina da estudante agora é dividida entre sessões de fisioterapia e acompanhamento psicológico para tentar recuperar os movimentos das pernas. No momento do ataque, ela relatou ter sentido um “choque” pelo corpo, o que indica possível comprometimento de nervos. Três dos golpes atingiram as costas da menina. Até o momento, ainda não foi divulgado diagnóstico conclusivo sobre sequelas motoras.
O "porque eu quis" e a frieza do ataque
O crime ocorreu na manhã da última segunda-feira (16). O agressor, um colega de sala também de 14 anos, sacou uma faca da mochila por volta das 7h30 e atingiu três meninas, todas da mesma idade. Duas delas receberam alta no mesmo dia. Na delegacia, ao ser questionado pelo conselheiro tutelar André Costa sobre o motivo da violência, o jovem foi curto: “Porque eu quis”.
Relatos colhidos pelo Tribuna Online PE indicam que a ameaça estava desenhada há um ano. O adolescente teria escrito em um banheiro da escola que faria uma "chacina". Cadernos com desenhos e planos do jovem foram apreendidos pela Polícia Civil, que registrou o caso como ato infracional análogo à tentativa de feminicídio.
Denúncia de bullying e acusações de negligência escolar
A defesa do agressor e sua família sustentam que ele reagiu a episódios constantes de bullying, sendo chamado de "feio e horrível" pelas vítimas. As três meninas vítimas do atentado negaram.
A mãe do jovem acusou a escola de negligência, afirmando que a direção conhecia as perseguições. A direção também informou desconhecer a queixa do estudante. O conselheiro André Costa, por sua vez, chegou a confrontar o adolescente, lembrando que também sofreu bullying na juventude e nunca reagiu com facas.
Quando André perguntou ao adolescente apreendido se a violência seria a solução para os problemas que enfrentava, o estudante foi enfático: “Para mim foi”.
Recuperação e suporte
Enquanto as outras duas vítimas sofreram apenas cortes superficiais, a terceira adolescente enfrenta o impacto físico e emocional da premeditação. O adolescente foi encaminhado para a Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase).
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