Tragédia de Gerson Brenner gerou atrito ao vivo entre equipes de Gugu e Faustão
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O ator Gerson Brenner, que morreu na noite desta segunda-feira, 23, aos 66 anos, em decorrência de falência múltipla de órgãos, foi mais um dos símbolos da guerra pela audiência que os programas dominicais travaram nos anos 1990.
Poucos dias depois de Brenner ser vítima de um assalto, ocorrido no dia 17 de agosto de 1998 - no qual levou um tiro na cabeça -, o Domingão do Faustão, comandado por Fausto Silva, e o Domingo Legal, apresentado por Gugu Liberato, disputaram uma entrevista exclusiva com a esposa do ator na época, a bailarina Denize Tacto.
Na porta do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde Brenner estava internado, Denize, grávida de oito meses, conversava ao vivo com Faustão quando a repórter de Gugu, a jornalista Sônia Abrão, se aproximou para também participar da entrevista.
Na cena, agora relembrada por internautas no X (antigo Twitter), é possível ver que uma mulher tenta impedir que Sônia fale com Denize. O médico que acompanhava a bailarina, o ginecologista Malcolm Montgomery, tenta tirar o microfone da mão de Sônia.
"Isso que vocês estão fazendo é um desrespeito com o público do Brasil inteiro. É um desrespeito com o SBT, é um desrespeito com a democracia da informação brasileira", disse Sônia, ao vivo no programa do Gugu.
Sônia também afirmou que o ato era inadmissível e que estava apenas "querendo levar informação para todo o Brasil". A jornalista completou: "Não existe exclusividade em uma hora dessas. Existe solidariedade".
Sônia Abrão afirmou que foi 'beliscada' pela equipe da Globo
Anos mais tarde, em uma entrevista para o apresentador Ronnie Von, Sônia afirmou que esse foi um dos momentos mais marcantes de sua carreira e que, até hoje, o público comenta o episódio com ela. A jornalista contou que havia acertado previamente uma entrevista exclusiva com Denize Tacto, mas que, ao chegar ao hospital, uma repórter da Globo disse que a mulher do ator não estava mais no local.
Ao perceber a movimentação para a montagem de um set de reportagem na porta do hospital, Sônia concluiu que haveria, sim, uma entrevista. "A Denize foi pressionada pela emissora, já que o Gerson era contratado da Globo, mas ela tinha dado a palavra para a gente. Falei: 'Isso não vai ficar assim'", relembrou Sônia.
"Eles queriam me derrubar. Caí de joelhos ao lado da poltrona dela para ninguém me tirar de lá, e fomos fazendo a entrevista. Marcou muito. Eles chutavam, tentavam arrancar o cabo da nossa câmera, me beliscavam [no braço]. Foi horrível", disse Sônia a Ronnie.
Segundo a jornalista, sua única saída foi contar tudo ao vivo para que o público pudesse acompanhar o que estava ocorrendo.
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