Eutanásia e poder em “A Graça”, novo filme de Paolo Sorrentino
Novo filme de Sorrentino abandona excessos visuais e aposta em dilemas morais e reflexão política
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Paolo Sorrentino sempre foi conhecido por um cinema de características muito facilmente reconhecíveis. Filmes como “A Grande Beleza”, de 2013, o tornaram famoso por uma estética afeita a rebuscamentos visuais e personagens excêntricos. Mas seu mais novo longa, “A Graça”, mostra que o italiano talvez esteja disposto a seguir novos caminhos formais.
Muito comedido, Sorrentino mostra, no longa, as hesitações de um presidente (fictício) da Itália já na reta final de seu mandato. Que tem ainda algumas decisões importantes a tomar, mas que gasta a maior parte do seu tempo tentando avaliar seu governo e seu potencial legado, fazendo um balanço concomitante sobre sua trajetória de um modo geral, enquanto ser humano.
Em sua sétima colaboração com seu ator-fetiche, Toni Servillo, possibilitou ao amigo o prêmio de melhor atuação masculina em Veneza.
Ele interpreta Mariano De Santis, o presidente prestes a se aposentar, conhecido pela sua firmeza de opiniões. No fim de seu mandato, surgem dois casos de praticantes de eutanásia que solicitam perdão presidencial (a “graça” do título).
Apesar de muito católico e de não ser a princípio a favor de uma pessoa poder antecipar a morte de outra, De Santis se sente impelido a analisar com cautela as duas situações.
O filme não chega a ser uma ode à eutanásia, mas mostra que nenhum ser humano precisa seguir os mesmos princípios morais do início ao fim da vida. É sempre legítimo e enriquecedor se abrir a novas ideias e formas de pensar.
As hesitações do presidente o tornam um personagem com muito mais maleabilidade do que grande parte dos políticos que estão no poder mundo afora. Nesse aspecto, De Santis se mostra um líder diferenciado, que Sorrentino fez questão de criar como contraponto ao que vemos nos gabinetes.
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