“Periferia Consciente”: cultura vira ferramenta de cuidado
Projeto transforma cultura em instrumento de cuidado, inclusão e saúde mental nas periferias
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O projeto “Periferia Consciente”, liderado por Lorraine Emídio Moraes, também se destacou ao utilizar a cultura como ferramenta de cuidado e acolhimento em comunidades periféricas.
A ação surgiu em 2020, inicialmente como um evento pontual, reunindo ações culturais, serviços de saúde mental e atividades assistenciais. Com a adesão da comunidade, o projeto se transformou em um coletivo que atua de forma contínua no território.
Segundo Lorraine, a proposta é aproximar o debate sobre saúde mental da realidade das comunidades.
“A linguagem técnica da psicologia muitas vezes não chega até a população. Com isso, nós passamos a entender que é possível falar sobre saúde mental de outras formas, usando, por exemplo, a cultura como ferramenta de expressão e de acolhimento”.
Atualmente, o coletivo promove ações culturais, rodas de conversa e atividades com parceiros, com foco também na geração de renda para a comunidade.
“Saúde mental também é bem viver, é renda, é empregabilidade. A gente busca trazer recursos e movimentar a economia dentro do próprio território”.
O projeto conquistou o terceiro lugar no Prêmio Elas, na categoria “Promoção da Igualdade de Gênero”, ao propor ações que incentivam o protagonismo feminino nos espaços culturais.
Para a coordenadora, o reconhecimento no prêmio reforça o impacto do trabalho realizado.
“É uma reafirmação de que a gente está no caminho certo e de que nossas ações têm impacto na vida da comunidade”.
Uma das preocupações da organização é justamente fazer com que as ações sejam inclusivas.
“Muitas mulheres não se sentem confortáveis em espaços culturais por conta do machismo e do assédio. A gente quis criar um ambiente onde elas pudessem não só participar, mas também ocupar esses espaços”.
A partir disso, o coletivo organiza também eventos voltados exclusivamente para o público feminino, com programação construída por mulheres.
“Não é apenas sobre consumir cultura. É sobre mostrar que elas podem estar na linha de frente, produzindo, se expressando e ocupando esses espaços”.
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