Ecos de eventos empresariais deste mês
A capacidade de todos os agentes envolvidos em encontrar soluções determinará que futuro teremos em termos tecnológicos e econômicos
Luciano Rangel
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“Nenhuma economia se torna rica por acaso. Antes, ela se torna produtiva.” Alertas como esse encontraram eco em eventos importantes em Vitória, que discutiram o momento econômico complexo pelo qual atravessam empresas, empregados e, na ponta da equação, os estudantes — futuros participantes de um ecossistema “estressado” para o qual todos os esforços parecem ter sido insuficientes para antecipar o que se enfrenta agora.
O “Conecta CEO”, do Base27, o “CEO Meeting”, do IBEF, e o encontro de lideranças empresariais do Movimento Espírito Santo em Ação serviram de palco para vozes que soaram, na maioria das vezes, uníssonas quanto à necessidade de acelerar a adaptação a um mundo que se transforma em uma velocidade que parece impossível acompanhar.
Os indicadores são desafiadores. Como destacou Felipe Storch, economista-chefe do IBEF-ES, ao abordar a formação profissional: “Economias modernas são, cada vez mais, baseadas em conhecimento. Em síntese, aumentar a produtividade depende de adaptação e inovação e, se não houver investimento suficiente na formação e qualificação, os ganhos não serão sustentáveis”.
É nesse contexto que as opiniões ouvidas entre os participantes revelam a multiplicidade dos caminhos que precisam ser trilhados:
- Precisamos de mais matemática, mais engenheiros.
- A academia precisa dialogar mais com as empresas quanto à formação profissional.
Se, nessa equação, inserimos a variável da inteligência artificial, o cenário ganha uma perspectiva mais “animada”, mas ainda não menos desafiadora. Dados indicam que 70% das empresas já incorporaram agentes de inteligência artificial em seus processos, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido no sentido de converter esse engajamento tecnológico em resultados produtivos.
Denis Fernandes, diretor de Dados e Inteligência Artificial da Oracle para a América Latina, destacou, em sua palestra no Conecta CEO, promovido pelo Base27, que a inteligência artificial já está no ambiente corporativo e vem mudando sua rotina produtiva e operacional. No entanto, há, no horizonte, a necessidade de que ela influencie decisivamente as orientações estratégicas das empresas.
Em outras palavras, contar com a inteligência artificial no ambiente corporativo não é difícil; mais complicado é conectar sistemas e dar um viés objetivo ao seu uso, reduzindo despesas, dinamizando a inovação e potencializando receitas.
O que acontecerá nos próximos anos com a inclusão da robótica — que terá protagonismo crescente com sua associação aos avanços da inteligência artificial — é difícil de prever com exatidão em termos de ganhos de competitividade para as empresas, especialmente diante do atraso do país na corrida tecnológica.
Aqui vale o alerta de Marc Mutra, diretor-presidente mundial da Telefónica, em entrevista recente ao jornal Valor Econômico: “Acredito que é ingênuo pensar que, daqui a dez anos, na Europa e no Brasil, os Estados Unidos deem acesso às últimas ferramentas de inteligência artificial que podem ser necessárias no mundo da agricultura, na indústria do automóvel ou mesmo na indústria cosmética”.
Ele faz uma advertência importante: a soberania de um país — ou mesmo de um continente — passa hoje pela soberania digital e tecnológica.
Há boas notícias em nível local, como foi ressaltado diversas vezes nos eventos empresariais: a organização das contas públicas no Espírito Santo, que propicia um ambiente de negócios estável e atrativo.
O cenário econômico encontra-se, em suma, acossado por uma oferta de mão de obra insuficiente e pouco qualificada, por desafios no setor público (leia-se, principalmente, a necessidade, em nível federal, de organizar as contas), pela baixa produtividade e pela concorrência externa.
A capacidade de todos os agentes envolvidos de encontrar soluções para tantos desafios determinará o futuro tecnológico e econômico que teremos.
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