Presidente do PT em Pernambuco, Carlos Veras despista sobre chapa de João Campos
Presidente estadual da legenda mantém mistério sobre aliança com o PSB; diz que decisão oficial fica para o dia 28
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Enquanto o prefeito João Campos (PSB) subia o tom no Hotel Luzeiro para anunciar sua pré-candidatura ao Governo de Pernambuco, o Partido dos Trabalhadores (PT) preferiu o recolhimento. Em entrevista exclusiva ao Tribuna Online PE, o presidente estadual da sigla, Carlos Veras, evitou carimbar o nome de Humberto Costa na chapa da Frente Popular e manteve o suspense sobre o destino petista nas eleições de 2026.
O escudo do calendário partidário
Questionado sobre o anúncio de Humberto Costa como o nome da esquerda para o Senado na chapa de João, Veras foi econômico nas palavras e repetiu o mantra. "Temos reunião do diretório dia 28 de março, onde será deliberada nossa tática eleitoral", limitou-se a dizer.
O uso do calendário interno serve como um escudo em relação à antecipação de João Campos, que se posicionou antes do rito tradicional das alianças ao apresentar a chapa completa sem a presença física da cúpula do PT.
A sombra de Raquel Lyra e o "risco" do palanque duplo
A discrição de Carlos Veras alimenta as especulações de bastidores. Indagado se o PT ainda corre o risco de se alinhar à governadora Raquel Lyra (PSD) ou se a antecipação de João Campos teria causado desconforto, o dirigente manteve a neutralidade diplomática. "João tem todo direito de anunciar a sua candidatura no dia que ele achar melhor", afirmou.
A resposta genérica esconde a queda de braço interna: de um lado, a ala lulista que preza pela relação institucional com o Palácio do Campo das Princesas; de outro, a base que já se sente em campanha ao lado do PSB.
Ao não fechar as portas para Raquel e nem abrir totalmente para João, o PT ganha tempo para negociar espaços em um tabuleiro onde o presidente Lula ainda não definiu se permitirá palanques divididos no estado.
Expectativa para o dia 28
O movimento de João Campos nesta sexta-feira foi um xeque-alvo. Ao lançar a chapa com Marília Arraes (PDT) e o vice Carlos Costa (Republicanos), o prefeito tentou "fechar" o arco de alianças e pegar a mão dos petistas. No entanto, o recado de Veras é claro: o tempo do PT não é o tempo do PSB. Até o dia 28, o partido seguirá no modo "mudo", observando a recepção da candidatura de João enquanto mantém suas cartas — e suas portas — guardadas a sete chaves.
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