Duas crianças morrem em incêndio no Residencial Ignêz Andreazza
Irmãos de 9 e 11 anos não conseguiram deixar o quarto; três adultos foram hospitalizados após inalarem fumaça
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Matéria atualizada às 14h50
O cenário de destruição no Bloco 342, Módulo 1 do Residencial Ignêz Andreazza, em Areias, revelou o desfecho trágico de um incêndio na madrugada desta quinta-feira (19). Os irmãos Rodrigo Magalhães de Lira Júnior, 11 anos, e Antônio Emanuel de Paula Magalhães, 9 anos, morreram carbonizados. Os corpos foram encontrados junto à grade de proteção da janela do quarto, onde tentaram buscar ar em meio às chamas que começaram por volta das 3h30.
No imóvel de 72 metros quadrados estavam três adultos: o pai, Rodrigo Magalhães, 39; a mãe, Polianna de Paula, 44; e o avô materno, de 78 anos, de nome ainda não divulgado. Todos inalaram grande quantidade de fumaça e foram encaminhados pelo Samu ao Hospital da Restauração (HR).
O combate às chamas e o acúmulo de materiais
O Corpo de Bombeiros mobilizou cinco equipes, mas enfrentou dificuldades severas para acessar o foco do incêndio. O apartamento continha um volume expressivo de materiais eletroeletrônicos, plásticos e estofados, o que alimentou o fogo. O oficial de operações dos Bombeiros, Paulo Roberto, detalhou a dificuldade do resgate:
”As crianças ficaram presas na janela, tendo em vista que a estrutura do apartamento tem as janelas e as grades de proteção, e elas ficaram acuadas ali, Quando nossa equipe chegou, não tinha mais o que a gente fazer. O incêndio estava na proporção tão já demasiado que, para poder chegar no quarto, estava complicado. Devido a quentura, a inalação e o grau muito elevado, as crianças vieram a óbito”, afirmou, bastante abalado. "Os meninos foram carbonizados".
Relatos de socorro
Moradores foram acordados pelos gritos vindos do segundo andar. O executivo de vendas Mário Caliman foi o primeiro a ouvir os gritos e acionar os Bombeiros, bem como o Samu. Ele descreveu o esforço dos vizinhos:
“A família estava gritando muito, bastante desesperada. O pai estava todo sujo de fuligem. A gente tentou usar todos os extintores, até o de um carro. Colocamos uma toalha molhada para ver se conseguia entrar, mas a gente não conseguia evoluir cinco metros. Eu queimei até os pelos dos braços aqui.”
O esforço coletivo
O vice-síndico do residencial, Jadson Almeida, que entrou no imóvel logo após o combate inicial, confirmou a presença de uma grande quantidade de aparelhos eletrônicos espalhados pelos cômodos, o que teria dificultado a contenção do fogo. Segundo ele, o material estava por toda parte:
"Eu acabei de entrar no apartamento, tinha material eletrônico para tudo que era lugar, na sala, no quarto, no banheiro, entendeu? São materiais de computador, rádio, material eletrônico, que segundo informações, o pai trabalhava com esses tipos de materiais. E graças a Deus que através da nossa equipe (a brigada do condomínio) não teve uma tragédia maior, que a gente conseguiu confirmar o incêndio dentro de um único apartamento."
Estrutura e investigação
A perícia inicial confirmou que o fogo começou no quarto dos meninos e se alastrou rapidamente pelo corredor. A Defesa Civil interditou o imóvel atingido e o apartamento do andar superior devido a rachaduras graves. A unidade do andar térreo sofreu infiltrações pela água utilizada no combate ao fogo e os moradores foram orientados a não retornar ao local. A estrutura do prédio não foi comprometida.
A Polícia Civil de Pernambuco informou que o caso está sob investigação da Delegacia de Afogados. O Residencial Ignêz Andreazza, construído em 1983, é um dos maiores conjuntos habitacionais da região e abriga cerca de 10 mil pessoas.
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