Pediatras alertam para alta temporada de vírus perigoso para bebês e crianças
Com a chegada do outono aumenta a circulação do VSR, um dos causadores da bronquiolite, doença grave em bebês
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Em todo o ano de 2025, o Espírito Santo registrou 660 casos de infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças de zero a 4 anos, com oito mortes dentro desse público.
O vírus, segundo especialistas, é um dos principais causadores da bronquiolite, doença respiratória mais grave em crianças menores de dois anos, especialmente até os seis meses de vida.
Por conta da alta circulação do vírus, principalmente a partir deste mês, com a chegada do outono e nos meses a seguir com o inverno, pediatras alertam para os cuidados com a saúde dos bebês.
O médico Eduardo Jorge da Fonseca Lima, presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), destaca que, tradicionalmente, de março a agosto é um período de alta sazonalidade dos vírus respiratórios: influenza, VSR, adenovírus, entre outros vírus.
“Há sempre uma preocupação com o VSR, por ser o vírus mais frequente em lactantes com menos de seis meses de idade. A bronquiolite é uma doença causada pelo VSR, em que crianças maiores têm um quadro mais benigno e quanto mais jovem for a criança, mais grave é o quadro. E todos os anos temos filas de crianças esperando vaga em UTI”, alerta.
Para este ano, há duas medidas efetivas que, segundo o médico, podem reduzir os casos da doença: a vacinação da gestante e o anticorpo para as crianças prematuras.
A pediatra Patrícia Saraiva, do Hospital Vitória Apart, explica que o nirsevimabe, anticorpo que garante proteção imediata contra o VSR, só é disponibilizado no Sistema Único de Saúde (SUS) para recém-nascidos prematuros, com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias, e para crianças de até 23 meses com comorbidades.
“Já as gestantes, a partir da 28ª semana de gravidez – período em que a mãe produz anticorpo que passa para o feto – , podem se vacinar com a Abrysvo, que reduz em quase 80% as formas graves de bronquiolite. Nos primeiros meses de vida o bebê já nasce com anticorpos”.
Quanto aos sintomas de gravidade da doença, a pediatra Flavia Tavares aponta sinal de esforço respiratório, como costelas afundando, batimento de alerta nasal, congestão nasal intensa que atrapalha o bebê a se alimentar. “A depender de como evolui, pode sim ter complicações, como a bronquiolite obliterante (obstrução de vias aéreas)”.
Cuidados
Anticorpo
A pediatra Camila Turra de Carvalho, de 36 anos, sabendo do aumento de casos de infecção de crianças pelo vírus sincicial respiratório (VSR), buscou uma clínica particular para aplicar o anticorpo nirsevimabe no filho, Gabriel, de 10 meses.
“Oriento a quem tem condições, imunizar o filho e seguir cuidados básicos: evitar exposição ao vírus, fazer lavagem de mãos e nasal, evitar beijar mãos do bebê e manter a caderneta de vacinação em dia”.
Fique por dentro
Bronquiolite
A bronquiolite é uma infecção respiratória que provoca inflamação nos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões responsáveis pela passagem do ar. Essa inflamação dificulta a respiração e é especialmente comum em bebês e crianças menores de dois anos.
A doença pode começar com sintomas leves, semelhantes aos de um resfriado, mas em alguns casos evolui rapidamente e exige atendimento médico ou até internação hospitalar.
Vírus associado à doença
O principal causador da bronquiolite é o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por cerca de 75% a 90% dos casos em bebês. Embora outros vírus respiratórios também possam provocar a doença – como adenovírus e rinovírus – o VSR é o que mais leva crianças pequenas à emergência e internações.
Por que bebês podem ter quadros mais graves?
Embora o vírus possa infectar pessoas de qualquer idade, os bebês são os mais vulneráveis.
Isso acontece por alguns motivos: muitos ainda não tiveram contato anterior com o vírus e não possuem anticorpos; as vias respiratórias são menores e mais sensíveis, o que facilita a obstrução quando há inflamação; o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.
Quanto mais nova a criança, maior pode ser o risco de evolução para quadros mais graves de bronquiolite.
Principais sintomas da bronquiolite
Os primeiros sinais costumam ser semelhantes aos de um resfriado. Entre os sintomas mais comuns estão: tosse, febre, secreção nasal, chiado no peito e dificuldade para respirar.
Sinais de alerta
Respiração acelerada ou dificuldade para respirar, esforço respiratório, com abertura das narinas para puxar o ar, cansaço ao mamar e chiado intenso no peito.
Proteção
Vacina para gestantes: A vacina pode ser aplicada a partir da 28ª semana de gravidez e estimula o organismo da mãe a produzir anticorpos contra o vírus sincicial respiratório. Esses anticorpos são transferidos para o bebê ainda durante a gestação.
Anticorpo: Outra medida adotada no Brasil é a aplicação do nirsevimabe, um anticorpo monoclonal que pode custar até R$ 3,5 mil na rede particular.
Diferentemente das vacinas, que estimulam o organismo a produzir defesa ao longo do tempo, o nirsevimabe já fornece anticorpos prontos, oferecendo proteção imediata contra o VSR. Está disponível no SUS para recém-nascidos prematuros, com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias, e para crianças de até 23 meses com comorbidades.
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