“IA é caminho sem volta na educação”, diz especialista
Primeira versão do texto que cria diretrizes nacionais para uso da Inteligência Artificial na educação está sendo finalizado
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Enquanto o Conselho Nacional de Educação (CNE) debate regras para o uso da Inteligência Artificial nas escolas e universidades brasileiras, especialistas afirmam que a tecnologia já se tornou um caminho sem volta na educação. Para eles, o desafio agora é aprender a usá-la de forma ética, crítica e pedagógica.
A primeira versão do texto que cria diretrizes nacionais para uso da IA na educação está sendo finalizado pelo CNE.
Para Juliana Santos, palestrante e pedagoga especialista em uso consciente de telas digitais, a discussão sobre regras para o uso da Inteligência Artificial na educação é urgente. “O uso da IA na educação é um caminho sem volta”.
Na avaliação da especialista, quando utilizadas de forma adequada, as ferramentas de Inteligência Artificial podem ampliar a aprendizagem e aliviar parte da carga de trabalho dos professores.
“A tecnologia pode apoiar, por exemplo, a personalização do ensino, melhorar a participação dos alunos e auxiliar educadores na preparação de atividades”.
Para Juliana Santos, a regulamentação da Inteligência Artificial na educação é importante também para proteger o desenvolvimento das crianças, garantir o uso ético das tecnologias e orientar escolas sobre questões como segurança de dados. “A tecnologia pode ajudar a educação, mas é preciso formação para que professores e alunos saibam utilizá-la da melhor forma”.
A psicopedagoga Thais Cruz ressalta que estima-se que, hoje, 70% dos alunos do ensino médio já utilizam ferramentas de IA, e menos da metade recebeu orientações formais sobre como usá-las de maneira ética e segura. “A regulamentação não é apenas necessária, mas é algo urgente”.
Ela frisa que, quando usadas de forma adequada, ferramentas de Inteligência Artificial podem transformar a maneira como os alunos aprendem. “Elas não substituem o professor, mas funcionam como um apoio poderoso para melhorar o ensino e facilitar o aprendizado dos alunos”.
O psicólogo clínico Renato Oliveira Sardenberg Mattos, especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica, enfatizou que existem riscos.
“No ensino superior, já existem alunos dependentes destas ferramentas. Esse risco acontece pelo uso indiscriminado delas. Tudo que possa servir de 'facilitador' cai nas graças dos estudantes com muita facilidade, o que acaba por deixá-lo viciados em um 'aprendizado facilitado', o que na verdade não passa de um autoengano”.
Fique por dentro
Debate
O conselho nacional de Educação (CNE) está finalizando o texto do parecer que define as regras para o uso da Inteligência Artificial (IA) nas escolas públicas e privadas de educação básica e nas universidades do País.
O texto vem sendo elaborado há mais de um ano em uma comissão instituída para debater o tema – a Comissão Bicameral para Uso da IA na Educação.
Além de especialistas da área, o Ministério da Educação também tem contribuído.
A ideia é estabelecer diretrizes tanto para uso da IA por alunos quanto para professores e gestores de instituições de ensino.
Diretrizes
Suporte
Um dos pontos principais do relatório é estabelecer que, embora a tecnologia deva ser integrada ao currículo educacional, o uso da IA deve ser como suporte, sem substituir o educador.
De acordo com o relatório, o uso pedagógico da Inteligência Artificial deve ser orientado para fins educativos explícitos e sempre supervisionado.
Automatização
O texto veda expressamente a automação plena de atividades pedagógicas, garantindo que o protagonismo e a decisão final sobre o processo de aprendizagem permaneçam com os profissionais da educação.
Na prática, isso significa que a ferramenta pode auxiliar em tarefas burocráticas ou na correção de atividades objetivas, mas o professor é o responsável pela análise e correção de avaliações dissertativas.
Formação de professores
O parecer também tem como foco a reestruturação da formação de professores.
As redes de ensino e os cursos de licenciatura deverão preparar os profissionais para lidar com a análise de dados educacionais e para atuar em ambientes híbridos.
IA no currículo dos alunos
O texto também traz diretrizes para promover um letramento digital para os alunos. Deve ser inserido no conteúdo a compreensão sobre o funcionamento dos modelos de IA, seus benefícios, questões éticas e seus riscos associados.
Tanto na educação básica quanto na educação superior, a integração da IA poderá ocorrer de forma transversal e interdisciplinar.
Próximos passos
Após o texto ser finalizado pela comissão ainda este mês, a proposta passará por consulta pública para ouvir a sociedade civil.
O passo seguinte será a votação no plenário do conselho.
Depois disso, o documento será enviado para a homologação do Ministério da Educação (MEC).
Com isso, as regras passarão a nortear oficialmente o sistema educacional brasileiro.
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