Estátua perdida há 47 anos é encontrada em quintal de casa em Vila Velha
Escultura do deus grego Hermes, de 114 anos, foi derrubada de pedestal durante uma tempestade e ficou sumida desde 1979
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Uma estátua em mármore de carrara do deus grego Hermes, perdida desde 1979 e que integrava a Praça Cecília Monteiro, anexa ao Palácio Anchieta, em Vitória, foi encontrada no quintal de uma casa de Vila Velha, onde permaneceu guardada nos últimos 47 anos.
Após anos de busca, professores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) conseguiram contato com a dona da casa onde, nos anos 1970, a escultura foi levada, conta José Cirillo, professor de Artes e responsável pelo Laboratório de Extensão e Pesquisa em Artes (Leena) da Ufes.
“Depois de pesquisas intensas no Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (Apees), conseguimos localizar a pessoa responsável pela casa onde a estátua ficou por todo esse tempo. A escultura está com os dois braços quebrados, pedaços do nariz e do elmo também quebrados, e uma fratura menor nos pés. Apesar de difícil, o restauro ainda é possível”, contou.
Durante uma tempestade, em 1979, um galho de árvore grande, da Escola Maria Ortiz, ao lado do Palácio Anchieta, caiu em cima da escultura e a derrubou. “O encarregado de obras da escola levou a escultura para a casa em Vila Velha, já que a Prefeitura de Vitória não tinha um depósito para acomodar a obra de arte”, relatou José Cirillo.
Abandono
A escultura esteve por décadas abandonada no quintal da casa de um artista, que foi encontrado através de redes sociais, afirma Raphael Teixeira, professor e especialista em História Antiga.
“Consegui o nome do artista no Arquivo Público. O procurei nas redes sociais, e ele me respondeu. Contou que a escultura foi levada para o ateliê dele pela Prefeitura de Vitória na época, que não o notificou. Ele informou que não tinha meios para o restauro e pediu que a peça fosse recolhida. Ninguém buscou a escultura, as décadas se passaram e ela ficou abandonada”, afirmou.
“Encontrar a estátua, que integrava um conjunto de alegorias inaugurado em 1912, durante um projeto de modernização de Vitória, traz à tona a importância de preservar nossos monumentos históricos e do catálogo adequado desses itens por parte do poder público”, destacou Raphael.
Nos próximos dias, a estátua de 114 anos será recolocada no pedestal original da Praça Cecília Monteiro, informou a Prefeitura Municipal de Vitória.
Conservação
“Comecei a procura em 2018, busquei de diversas formas, e já dava o monumento como perdido. Fiquei surpreso quando soube que a peça existia. É importante contar essa história e mostrar a importância de conservar nosso patrimônio histórico”.
Raphael Teixeira, professor da Ufes e especialista em História Antiga
Reintegração
“Acreditamos que o retorno da escultura à praça, do jeito que está, com os braços quebrados, é muito importante. Será a reintegração de um monumento histórico ao seu local original, que agora carrega uma história própria nas marcas que adquiriu”.
José Cirillo, professor de Artes e responsável pelo Leena, da Ufes
Saiba mais
Escultura centenária
Em 1912, a estátua passou a integrar a Praça Cecília Monteiro, na escadaria anexa ao Palácio Anchieta. A instalação aconteceu em processo de modernização da capital do Estado.
Esculpida em mármore de carrara pelos artistas Pedro e Ferdinando Gianordoli, a estátua mostra o deus grego Hermes, conhecido por proteger viajantes e comerciantes na mitologia grega.
O local onde a escultura foi instalada dialoga com o simbolismo de Hermes, por estar próximo ao Porto de Vitória.
Outras esculturas alegóricas fazem parte da decoração da escadaria e da praça do Palácio Anchieta, simbolizando a indústria, e as estações verão, outono, inverno e primavera.
Perdida há 47 anos
Em 1979, durante uma tempestade, um galho de árvore caiu em cima da escultura, que a derrubou do pedestal onde estava instalada.
O monumento foi levado pela Prefeitura de Vitória para o ateliê de um artista em Vila Velha. Ele informou que não tinha os meios para o restauro, e pediu o recolhimento.
Ninguém recolheu o item, que ficou abandonado no quintal da casa. O lugar já não é mais um ateliê, mas o artista indicou onde a estátua estava.
Restauração do monumento
O mármore de carrara é proveniente da Toscana, Itália, e é uma rocha ornamental utilizada, atualmente, em imóveis de alto padrão.
No Brasil, não há escultores que trabalhem com a técnica necessária para restaurar esse tipo de rocha, que precisaria ser levada até a Itália para receber restauração.
Apesar do empecilho, a reconstituição dos braços da escultura pode ser feita com modelagem 3D no Laboratório de Extensão e Pesquisa em Artes (Leena), na Ufes.
Mármore sintético seria fundido com a modelagem 3D para reconstruir os braços.
A Secretaria Municipal de Cultura (Semc) de Vitória informou que estuda possibilidades para restaurar a escultura.
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