Mais de 5 mil trabalhadores de rede de supermercados vão ter duas folgas semanais
Grupo Coutinho, do qual fazem parte o Extrabom e Extraplus, anunciou ampliação da escala 5x2 em seus supermercados
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O Grupo Coutinho — do qual fazem parte as marcas Extrabom Supermercados, Atacado Vem e ExtraPlus — anunciou que mais de 5 mil empregados vão ter uma folga extra por semana até o final do ano. A proposta é que todas as 49 lojas no Estado adotem a escala 5x2.
As informações foram compartilhadas ontem pelo presidente do grupo, Luiz Coutinho. A Tribuna já havia antecipado, na edição de ontem, a ampliação da folga.
Coutinho explicou que, desde janeiro, a nova escala vem sendo implementada de forma experimental. Já há três unidades do Extrabom Supermercados trabalhando nessa escala: a de Laranjeiras, na Serra; Gaivotas, em Vila Velha; e Vila Rubim, em Vitória. Juntas, têm mais de 400 empregados.
“Está nos surpreendendo positivamente”, destacou Luiz Coutinho, complementando que, ao pesquisar internamente, os níveis de satisfação entre os colaboradores têm sido altos.
“Temos um total de 6.800 colaboradores nas 49 lojas no Estado. Quando conseguirmos implementar em todas as lojas, a escala 5x2 atingirá 80% dos trabalhadores. Mais de 5 mil”, disse. Acrescenta ainda que isso será feito de forma gradual, mês a mês.
Mas como essa jornada de 5x2 está sendo realizada? Coutinho explicou que os colaboradores estão trabalhando cerca de 8 horas e 40 minutos por dia para compensar a folga extra, que não tem dia fixo. Além dela, há a folga aos domingos, advinda do fechamento obrigatório dos supermercados.
“Estamos usando um recurso com bastante tecnologia, que dimensiona bem a distribuição dos trabalhadores por hora, e estamos conseguindo ganhar produtividade nesse sentido”, explica.
Segundo Coutinho, duas das lojas onde a escala já foi implementada tiveram custo maior de 2%. “Estamos conseguindo absorver sem repasse para o consumidor”.
A iniciativa também já vem dando frutos para resolver outro problema que o setor enfrenta: a falta de mão de obra. Segundo Coutinho, a jornada diferenciada tem atraído mais colaboradores.
“Não vamos aumentar o quadro de colaboradores, mas acredito que vamos completá-lo com mais facilidade. Temos muitas unidades que não estão completas. As empresas estão com essa dificuldade”.
Contratações em caso de mudança
Enquanto testa um novo modelo de escala de trabalho 5x2, o Grupo Coutinho observa as discussões no País acerca da redução da jornada de trabalho para 40 horas.
Segundo o presidente do grupo, Luiz Coutinho, caso isso aconteça, seria necessário aumentar em 10% o quadro de trabalhadores. Nesse caso, o custo teria de ser repassado aos consumidores.
“Teríamos que contratar mais e seria um aumento de custo significativo. Maior do que o lucro dos nossos supermercados. Aí teríamos que repassar”, aponta.
Em sua perspectiva, se houvesse a necessidade de uma redução, o ideal seria haver uma forma de incentivo para as empresas. Dessa maneira, “temos essa preocupação também”.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu, na última terça-feira, a redução da jornada para 40 horas. “É uma escala possível e coerente com o que a sociedade está pedindo”, diz.
A declaração foi feita durante audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, que discute a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221/2023, que aborda o assunto.
Segundo relatório do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o impacto direto estimado nas empresas seria de 4,7% na folha de pagamento.
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