Morte de motorista de app: adolescente se cala, mas, agora, privado de liberdade
Menor de 17 anos foi localizado em Toritama; polícia detalha integração entre forças para evitar que criminosos "livrassem o flagrante"
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Com informações de Rubens Marinho
O ciclo de capturas pelo latrocínio do motorista de aplicativo Victor Dantolli de Fontes Souza, de 36 anos, foi encerrado com a apreensão do segundo envolvido no crime. O adolescente de 17 anos, que estava foragido desde o dia 3 de março, foi localizado em Toritama, no Agreste de Pernambuco. Os detalhes foram informados nesta quarta-feira (11) pela polícia.
No momento da abordagem, o jovem exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio, mas a colaboração da própria mãe e a força das investigações garantiram sua internação.
Victor, que era arrimo de família e pai de dois filhos, foi morto a tiros durante um assalto na Estrada do Encanamento, em Casa Forte, área nobre do Recife. Para ele, que é mais acostumado a ver mortes entre traficantes, a morte de um trabalhador comove.
"Quando a gente vê um trabalhador, chama a atenção e comove a gente também", afirmou o Tenente Coronel Marcos Vasconcelos, comandante do 11º Batalhão, ao descrever o empenho das equipes para identificar os suspeitos por meio de imagens de segurança.
A fuga e a rede de proteção
A delegada Natália Tatajiba, titular da 5ª DPH, revelou que o adolescente fugiu para a casa da genitora no Agreste no mesmo dia do crime. "A genitora foi bem colaborativa. Ela reconheceu o filho nas imagens e disse que ele teria chegado em casa à tarde, dizendo que havia se metido em uma confusão, mas sem dar detalhes", explicou a delegada.
Segundo as investigações, o menor residia com o pai em Nossa Senhora do Ó, na Região Metropolitana, e teria sido apresentado ao comparsa, Cosme Victor Cândido, de 29 anos, por um terceiro ainda não identificado pela polícia.
Cosme, o autor do disparo, já havia sido preso na última semana enquanto tentava fugir pela BR-101, no Ibura. De acordo com o delegado gestor do DHPP, Cláudio Neto, a estratégia policial foi fundamental para manter os suspeitos sob custódia.
"As diligências não cessaram em momento algum para que o flagrante pudesse ser convertido em prisão preventiva. Trabalhamos para que, ao serem capturados, houvesse elementos robustos para a justiça", destacou.
Próximos passos
Atualmente, o adolescente cumpre medida socioeducativa no CENIP/FUNASE em Caruaru, podendo cumprir até 3 anos de pena. Já Cosme segue no sistema penitenciário. Ele pode pegar até 30 anos de prisão, segundo o Código Penal brasileiro.
A Polícia Civil, por sua vez, mantém as investigações abertas para localizar a arma do crime e identificar o intermediário que uniu a dupla para o assalto. Para a família de Victor, a resposta rápida das autoridades traz um alento em meio ao luto, mas não apaga a dor de uma vida ceifada em plena jornada de trabalho.
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