Operação no ES prende mulher ligada a piloto acusado de exploração sexual infantil
Sérgio Antonio Lopes foi preso em fevereiro deste ano em São Paulo; segundo investigações, mulher disponibilizava imagens de uma criança para o piloto
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Uma operação conjunta entre policiais do Espírito Santo e de São Paulo prendeu, na manhã desta terça-feira (10), uma mulher suspeita de integrar o mesmo esquema de exploração sexual infantil que levou à prisão do piloto de aviação Sérgio Antonio Lopes, de 62 anos, em fevereiro.
A mulher, de 29 anos, foi presa em Marataízes, no litoral Sul capixaba. Ela é investigada por disponibilizar imagens de uma criança de três anos para o piloto, que é apontado como chefe do grupo criminoso.
Durante a ação, que integra a segunda fase da Operação Apertem o Cinto, também foi cumprido um mandado de busca e apreensão na residência da suspeita. O objetivo, segundo a polícia, foi apreender o celular da investigada, que seria usado para enviar as imagens da criança e receber o pagamento.
A mulher está sendo conduzida, neste momento, para a sede do Departamentos de Homicídio e Proteção à Pessoa de Vitória, onde irá prestar depoimento. Em seguida, ela será encaminhada ao sistema prisional capixaba até decisão judicial que determine a transferência para São Paulo.
Relembre o caso
Sérgio Antônio Lopes, de 62 anos, foi preso no dia 9 de fevereiro, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Em vídeos gravados no momento da prisão, Lopes, que trabalhava na Latam desde março de 1998 — e foi demitido após a prisão –, relatou aos policias como funcionava o esquema criminoso e mostrou tudo o que tinha no celular.
Nas imagens, obtidas pelo Fantástico, o piloto admitiu que realizava pagamentos e favores para as famílias das vítimas, em troca de imagens e vídeos das crianças. Segundo o suspeito, ele admitiu que realizava pagamentos pelos conteúdos, que variavam de R$ 50 a R$ 100 para os responsáveis dos menores. Ele também teria pago aluguéis, comprado remédios e eletrodomésticos em troca dos abusos.
Ao ser questionado, o piloto admitiu que se encontrava com crianças e adolescentes em motéis espalhados pelo Brasil, além de manter conteúdos sexuais das vítimas no aparelho celular. A investigação apontou que o piloto afirmou ter conhecido uma das vítimas de quem tem registros no celular durante uma viagem à Vitória, capital do Espírito Santo.
Procuradas, a Polícia Civil de São Paulo e do Espírito Santo informaram que as investigações prosseguem, mas detalhes serão preservados por envolver menor de idade.
Investigação
O inquérito policial foi instaurado em outubro de 2025. Desde então, já foram identificadas três vítimas, com 11, 12 e 15 anos, todas submetidas a graves situações de abuso e exploração sexual. Segundo a Polícia Civil de São Paulo, a rede criminosa estruturada era voltada à exploração sexual de crianças e adolescentes.
De acordo com a delegada Luciana Peixoto, o suspeito aliciava mães e avós das vítimas, com quem havia tido envolvimentos amorosos, e deixava claro nos encontros que “gostava de crianças”, segundo apuração da Polícia Civil.
Uma mulher de 53 anos, avó de três adolescentes, de 10, 12 e 14 anos, também foi presa durante a operação, suspeita de permitir e facilitar o encontro do piloto com as netas.
O piloto é investigado por crimes de estupro de vulnerável, estupro, favorecimento da prostituição e da exploração sexual de criança e adolescente, uso de documento falso, produção, armazenamento e compartilhamento de material de pornografia infanto-juvenil, perseguição reiterada (stalking), aliciamento de crianças e coação no curso do processo, evidenciando grave violação à dignidade sexual de crianças e adolescentes.
Segundo a Polícia Civil de São Paulo, as provas colhidas até o momento mostram que os crimes investigados integram uma estrutura organizada de exploração sexual infantil, com indícios de habitualidade, divisão de funções e atuação coordenada entre os envolvidos.
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